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Fuga de c�rebros

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Um dos muitos efeitos danosos da atual crise econômica por que passa o Brasil é a intensificação da chamada ?fuga de cérebros?. Cada vez mais cientistas, doutores, mestres, pesquisadores e técnicos altamente qualificados têm buscado melhores oportunidades em outros países. No caso brasileiro, o fenômeno, conhecido pela expressão inglesa brain drain, está ligado não só ao recente aprofundamento da crise econômica, mas também a problemas estruturais como investimento insuficiente em inovação e ciência, ausência de programas de longo prazo e excesso de burocracia. A queda presenciada hoje na economia brasileira vai além de ciclos normais de expansão e retração. Trata-se de um decréscimo acentuado num intervalo muito curto de tempo, o que torna o cenário ainda mais preocupante. Pesquisas apontam que oito em cada dez empresas estão reduzindo investimentos e demitindo seus empregados. Também explodiram nos últimos meses os pedidos de recuperação judicial por parte das companhias, sendo que um terço dos casos refere-se a grandes conglomerados, com milhares de funcionários. No caso dessas empresas, verifica-se que tem havido uma redução drástica em cargos de direção e gerência, superior a 50%. São pessoas altamente qualificadas ficando desempregadas. Também cresceu muito nos últimos meses a capacidade ociosa na indústria de transformação, com índices em alguns casos atingindo 60%. O quadro tem feito com que um contingente de mão de obra qualificada ? tanto de brasileiros quanto de estrangeiros que vieram nos últimos anos para o Brasil, durante o boom econômico ? esteja emigrando. Enquanto isso, países como os Estados Unidos desenvolvem políticas no sentido contrário, ou seja, voltadas para a atração e retenção de cérebros, o Brasil investe pouco em pesquisa e inovação. O Ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, aplicou apenas 13% de recursos oriundos de taxas cobradas das empresas destinas originalmente a um fundo específico para essa área. Dos R$ 21 bilhões coletados, 87% foram usados para gerar superavit primário e para outras destinações. Se essa situação não for revista, o Brasil continuará condenado a ser apenas exportador de matérias-primas.

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