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Cad� o PT?

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DOM EDVALDO G. AMARAL * Contrariando meu costume ? e até minhas posições pastorais ? hoje vou dar uma palavrinha sobre o momento político nacional. Os bispos na Conferência Latino-americana de Puebla (1979) lembraram que os partidos políticos são organizações de cidadãos, que visam assumir o poder em seu país para, conforme sua filosofia partidária e sua ideologia política, implementar medidas que solucionem os problemas sociais da nação. Os únicos partidos do Brasil que se conhecia com filosofia definida e ideologia coerente eram o Partido dos Trabalhadores e o Partido Comunista, em suas duas versões, o Partido e o da linha albanesa, extrema esquerda radical. Nos demais, com seus acordos e coligações as mais variadas e esdrúxulas, não se visualiza nenhuma ideologia, firmada para uma ação política, sempre coerente com princípios. O que se viu até agora foi a preocupação de alcançar a todo custo as posições de mando e manter-se nelas para o próximo mandato. Isso é, em geral, o que orienta suas posições e suas ações governamentais. O PT, nascido nas Comunidades Eclesiais de Base, com as bênçãos de bispos como o atual cardeal-arcebispo de São Paulo (meu particular amigo), então bispo de Santo André, sempre teve uma linha coerente com seus princípios sociais de inspiração cristã, não se submetendo a alianças espúrias e, por isso mesmo, com dificuldades de vitórias eleitorais. Agora, com a vitória federal, vieram: a aliança para a vice-presidência, a entrega do Banco Central a um representante dos banqueiros internacionais, os acordos para dar importantes ministérios e parece que a coisa mudou e o PT entrou no caminho dos que sempre venceram e continuam vencendo. ?Tudo como dantes, no quartel de Abrantes?... Clóvis Rossi, em sua coluna na Folha de São Paulo de 14 de fevereiro p.p., falando do ?Titanic Brasil? com risco de afundamento, dirigia-se ao próprio presidente da República: ?Quais foram os responsáveis por ter feito a parte Nordeste do ?Titanic Brasil? bater estrepitosamente no iceberg? As elites políticas e econômicas, predatórias, selvagens. Não, presidente, não foi a Heloísa Helena quem me ensinou tais coisas. Foi um certo Luiz Inácio Lula da Silva, durante anos e anos. Pois é, presidente, onde está agora a maior parte das elites nordestinas? Onde sempre esteve: no convés da primeira classe, ouvindo e aplaudindo a nova orquestra, como ouviu e aplaudiu a anterior, todas as anteriores. Mudança, com essa gente que sempre sabe onde está o bote salva-vidas e salva-fortunas?? O articulista, em outro dia de sua mesma coluna, acusava o atual governo de continuismo da posição do governo FHC nas negociações sobre a Alca, considerada uma ?anexação? do Brasil pelos Estados Unidos na campanha do calendário criterioso. A Campanha ?Fome Zero? está sendo criticada pelos que apóiam o novo governo. Para combater a fome, os mais lúcidos afirmam que é necessário criar e manter um fluxo de alimentos, que inclui a reprodução, a distribuição e o consumo. Todos reconhecem que é o crescimento econômico, a austeridade na administração pública, a severidade na punição dos assaltantes do Erário, que vão pôr dinheiro no bolso do faminto para que ele, com a dignidade do trabalhador honesto, possa matar a fome de sua família. Isso é ação total de um governo, não uma campanha emergencial, como se faz numa enchente ou terremoto. Não serão, dizia um jornalista da mesma Folha, as doações de modelos da passarela, nem a coleira de brilhantes do cachorro de estimação da soçaite da Tijuca, que vão resolver o problema dos pobres do Nordeste. Cadê você, PT?.. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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