loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

MILTON H�NIO E NELSON CAVAQUINHO

Ouvir
Compartilhar

Com mais de 11 milhões de desempregados, fábricas e lojas que não param de fechar e demitir, contas públicas arrombadas, clamando por ajuste e austeridade, Temer e o Congresso Nacional conseguiram elevar os salários dos funcionários públicos, aumentando os gastos públicos em R$ 58 bilhões, atitude abominada no pensamento de Gandhi: ?Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é imoral?. Nelson Cavaquinho era funcionário público da cavalaria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, circulava pelos morros cariocas, onde conheceu Carlos Cachaça, Cartola e outros sambistas consagrados. Atraído pela boemia, muitas foram as ocasiões nas quais abandonava essas rondas seduzido pelas rodas de samba, e tantas foram as punições e detenções que parte de suas músicas foi composta em suas temporadas no xadrez do quartel. Até que deixou a Polícia Militar para se dedicar unicamente à boemia, quando compôs Quando Eu me Chamar Saudade: ?Por isso é que eu penso assim/Se alguém quiser fazer por mim/Que faça agora/Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga/Para aliviar meus ais...?. A comenda que a Câmara Municipal de Maceió outorgou com o nome do médico pediatra Milton Hênio Gouveia, além de justíssima, é o que o Nelson Cavaquinho pediu e muitos poucos o receberam em vida: um adequado galardão que ainda tem por objetivo condecorar médicos ilustres, entre os quais José Wanderley, pioneiro dos transplantes cardíacos, e Luciano Tenório,referência maior da cirurgia pediátrica no Estado. Infelizmente, não conheci Nelson Cavaquinho, mas conheço o Wanderley e o Luciano, colegas na Santa Casa de Maceió, berço acolhedor de suas ações pela saúde pública: Luciano briga tenaz e incansavelmente pelas exíguas verbas que possam lhe dar condições mínimas de operar um monte de crianças desassistidas do SUS; é no desprivilegiado SUS onde os desempregados e seus sofridos filhos pagam as contas dos desmandos brasilienses. Afortunadamente, conheço e convivo bastante com o Milton Hênio, uma das raras unanimidades alagoanas. Nelson Cavaquinho nos legou pérolas musicais imortais. Milton Hênio Gouveia, 79, continua trabalhando duro, goza plena saúde e viverá bastante, para felicidade dos muitos que o amam e admiram, coisa que só a música e a Medicina na sua mais perfeita execução podem construir. Ambos fizeram a felicidade de muita gente, uma laboriosa conquista que os grandes artistas e grandes médicos conseguem consolidar.

Relacionadas