Opinião
Agiotagem oficial
Continua gerando polêmica a política continuísta do governo federal. Presente e passado vão se mesclando, turvando a esperanças de mudanças. Mudanças radicais e repentinas eram pura ilusão, mas não será que algo de novo, genuinamente novo, poderia ser tentado? No caso da política de alta de juros para tentar controlar as oscilações de mercado e breque para o consumo, a persistência do governo Lula em seguir a linha de FHC começa a receber críticas de entidades abalizadas, como as detonadas a partir das principais entidades de economistas do Estado de São Paulo. Para o Conselho Regional de Economia, para a Ordem dos Economistas e para o Sindicato dos Economistas de São Paulo, é ?desnecessária e sem efeito significativo para conter a inflação? a última medida tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Como as manchetes estamparam em todo Brasil, na quarta-feira, o Copom fez saltar de 25,5% para 26,5% a taxa de juros básicos. Essa decisão foi analisada pelas entidades de economistas de São Paulo como ?além de não alterar a trajetória da inflação, aumenta a dívida pública e afeta diretamente o setor produtivo, promovendo arrocho para as empresas, queda dos salários e desemprego?, segundo afirmou o presidente do Conselho Regional de Economia, Synésio Batista. O vice-presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, Heron do Carmo, acrescentou que ?a nova elevação dos juros é recessiva, sem contribuir para uma efetiva queda da inflação, já que as taxas são elevadíssimas. Vale lembrar que as últimas altas de dezembro e janeiro ainda não tiveram efeito pleno sobre a economia?. As entidades igualmente contestam a elevação do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista, de 45% para 60%. ?Essa medida vai tirar mais de R$ 8 bilhões de circulação, encarecendo o crédito e freando toda economia?, avaliam os críticos. Para o leigo, as críticas dos economistas de São Paulo fazem sentido. Afinal, puxar para trás o desenvolvimento para garantir a ?estabilidade da moeda? foi o princípio sagrado de FHC. Será que não tem mesmo nada de novo?