Opinião
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Análise produzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a atual situação mercado de trabalho no Brasil traz como cenário o aumento do desemprego entre os jovens, a perda de renda e o retrocesso da massa salarial. De acordo com o documento, os jovens na faixa etária de 14 a 24 anos foram os mais afetados pelo desemprego no primeiro trimestre deste ano. Entre esses jovens, o desemprego subiu de 15,25% no quarto trimestre de 2014 para 20,89% no mesmo período de 2015, avançando entre janeiro e março de 2016 para 26,36%. Mais sensíveis aos efeitos dos ciclos econômicos no emprego, os jovens sentem duramente o golpe da recessão no mercado de trabalho. Mais de um quarto da população jovem está procurando emprego, mas não encontra, pois o mercado está contratando menos. De acordo com o Ipea, a taxa de ocupação de jovens vem caindo desde 2013. O movimento observado entre os jovens é que estão deixando de ser ocupados para passar à situação de desempregados. No terceiro trimestre de 2012, a taxa de jovens ocupados atingiu o pico de 44%, caindo para 37% no primeiro trimestre de 2016, enquanto os jovens desocupados, que eram 8% até 2015, subiram para 12,2% este ano. O ritmo acelerado no desemprego entre os jovens pode ser explicado por dois fatores. O primeiro é que as pessoas com menos experiência e menor tempo nas empresas costumam ser os primeiros demitidos quando cortes são necessários. O segundo: quanto maior a crise, mais jovens precisam sair em busca de trabalho. Durante a bonança econômica vivida pelo Brasil nos últimos anos, principalmente a partir do governo Lula, uma parcela dessa população adiou a entrada no mercado de trabalho para poder se dedicar exclusivamente aos estudos. Hoje, com a perda do padrão de vida, precisa deixar universidades e cursos técnicos de lado ou tentar conciliar trabalho com estudo. Essa mudança é prejudicial não apenas para cada indivíduo, mas traz também efeitos negativos para a nação. Isso porque os jovens que estão entrando no mercado de trabalho ou estão abandonando os estudos ou deixando de se dedicar exclusivamente à educação. Segundo os especialistas, os impactos negativos de uma geração perdida serão sentidos por pelo menos 40 anos. Um atraso para o País.