loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Ciclo de pobreza

Ouvir
Compartilhar

Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, os números do trabalho infantil ainda são preocupantes no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2014 mostram que 3,3 milhões crianças e jovens, entre 5 e 17 anos de idade, trabalham no País. A Constituição Federal proíbe a realização de qualquer tipo de trabalho por menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos. Também é vedada a realização de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos. Para especialistas, as propostas de flexibilização das leis trabalhistas que tramitam no Congresso Nacional não apenas precarizam o trabalho, mas também abrem brechas para o aumento da exploração de crianças e adolescentes na cadeia produtiva. Essa preocupação está expressa no tema da campanha que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lança hoje, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil: ?Não ao trabalho infantil nas cadeias produtivas. Apoie essa ideia?. O objetivo é dar visibilidade à existência do trabalho de crianças e adolescentes em diferentes processos e etapas da linha de produção, em menor ou maior escala. O trabalho infantil se torna ainda mais recorrente em cenários econômicos adversos como o atual, em que as famílias precisam recompor sua renda mínima e os mais novos acabam sendo são usados para isso. A exploração da mão de obra infantil ? apesar de ser vista por muita gente como algo positivo, pois evitaria que os menores se envolvem com o crime ? tem consequências funestas para o futuro dessas crianças e para toda a sociedade. Uma situação de trabalho, além de tirá-las da escola, afeta seu desenvolvimento como pessoa, tira a possibilidade de uma vida com dignidade. Ao abandonarem a escola, ou terem que dividir o tempo entre a escola e o trabalho, serão sérias candidatas ao abandono escolar e consequentemente ao despreparo para o mercado de trabalho, tendo que aceitar subempregos. Com isso, continuarão alimentando o ciclo de pobreza no Brasil. É preciso combater essa situação em seu nascedouro, começando com a educação integral. É preciso também um trabalho de conscientização das famílias. Tudo isso acompanhado por políticas públicas de saúde, habitação, saneamento e geração de emprego e renda.

Relacionadas