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Opinião

Combina��o perversa

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O massacre que deixou 49 mortos e 53 feridos, na madrugada de domingo, em uma boate frequentada predominantemente pelo público LGBT em Orlando, na Flórida (EUA), ainda vai ocupar, durante um bom tempo, o noticiário internacional pela dimensão da tragédia. Além disso, trata-se da primeira ação terrorista de grandes proporções que vincula diretamente uma motivação homofóbica com o radicalismo islâmico. Ao mesmo tempo em que se analisa o ato a partir de um suposto extremismo religioso, não se pode deixar de lado o forte componente homofóbico na ação do atirador que disparou com um rifle contra os frequentadores da boate Pulse. O próprio pai de Omar Mateen declarou à imprensa que o filho havia ficado revoltado ao ver dois homens se beijando em Miami. Normalmente, os terroristas ligados aos grupos extremistas islâmicos enfatizam o fenômeno da decadência moral do mundo não muçulmano. Matar os ?infiéis? seria, então, uma forma de livrá-los do pecado. Mesmo assim, os atentados em geral, no fundo, são guiados por objetivos políticos. O caso específico de Orlando seria uma exceção, já que, até agora, não há indícios de que Omar tenha agido sob a ordem do grupo Estado Islâmico, ao qual teria jurado fidelidade. Em pronunciamento na TV, o presidente Barack Obama disse que o ataque está sendo investigado como um ato de terror, pois está claro que o atirador era uma pessoa cheia de ódio. Ele destacou que a boate até era mais do que apenas uma casa noturna, mas também um lugar de solidariedade e empoderamento para a comunidade gay. Obama também voltou a bater na tecla da necessidade de maior controle sobre o acesso a armas. O caso de Omar Marteen parece ser resultado de uma combinação perversa: extremismo religioso e homofobia. São duas realidades que têm feito muito mal à sociedade e agora provocaram uma tragédia descomunal. Aprender a conviver harmonicamente com as diferenças é o grande desafio do mundo moderno, marcado pela pluralidade e diversidade. É preciso, mais do que nunca, criar e fortalecer instrumentos da sociedade para combater o discurso de ódio, e o melhor caminho ainda é pela educação. Ninguém nasce homofóbico, racista ou misógino. São sentimentos que vão sendo cultivados.

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