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Opinião

ELOGIO DA ARROG�NCIA

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É possível que, assim como a loucura, haja espaço na dialética filosófica para um elogio da arrogância e quiçá da prepotência. Não é possível que tais atributos, não possam expressar virtudes dignas de orgulho. Porque afinal é a própria história que faz registrar o prazer, mesmo que patológico, da supremacia em detrimento da humilhação de outrem. Razão pela qual, não é possível acreditar na inexistência de louvor pessoal em tratar outros seres humanos como a escória. A sobranceria é a principal característica do arrogante. Sua altivez pode ser até dissimulada pela placidez de suas palavras. Mas esta placidez tem um caráter didático ao ouvinte. Ele não dialoga, mas se expressa segundo o seu humor. Pode ser eloquente e ao mesmo tempo afiado como um punhal ao pescoço. Não há limite para o verbo assim como não há para o silêncio. A arrogância nunca admite contestação. Quando não explode como pólvora ao fogo, cala-se e guarda o episódio na mente como quem marca a página de um livro. Nunca para de articular o momento exato de sua desforra. Na hora certa, a página é reaberta e o opositor esquecido, está em suas mãos. E, com a mesma placidez alterna-se entre a humildade e a prepotência. Desfaz um rosário de fatos, engendra outros tantos, até colocar o opositor no chão. Satisfeito este seu apetite pela discórdia torna-se dócil e quase se emociona diante de sua reconciliação. A partir daquele momento seu opositor será um aliado ou não será ninguém. Ninguém precisa ter poder ou riqueza para ser arrogante. Esta é uma qualidade, se é que podemos assim denominar, natural em alguns seres humanos que possuem uma falsa humildade no limiar do ressentimento. Queixam-se exprimindo suas fraquezas e suas dores com frases afiadas. A mesma testa erguida e potente de quem olha o mundo por cima se dobra na simplicidade, diante da presa, como um animal prestes a atacar. Não reconhece sua vítima porque ela mesma já se considera uma vítima. Todo mundo parece lhe dever favores porque se acha merecedora. Vive como se o mundo inteiro a tivesse magoado. Dessa forma nem tem a humildade de pedir nem de receber desculpas sem constrangimento de ambas as partes.

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