Opinião
EST� CHEGANDO O NOSSO S�O JO�O
Mais um mês de junho em nossas vidas e com ele as tradicionais festas juninas. Muito se tem escrito em prosa e em versos sobre esse mês, em que se unem religião e folclore. Creio eu em nenhum lugar do Brasil tais festejos sejam mais animados e atraentes do que entre nós, nordestinos. Jorge de Lima, nosso grande poeta, descreveu ainda adolescente em União dos Palmares, sua terra natal, as festas juninas de sua infância: ?Fogueira! Fogueira! Dos meus olhos fixos cheios de fumaça e sonhos?. A fogueira é um fogo que segundo a história bíblica lembra o sinal de Isabel para comunicar a Maria o nascimento de João Batista. A música faz parte dos festejos juninos de forma destacada. E o nosso inesquecível Luiz Gonzaga é sinônimo de festas de São João. Até hoje, depois de tantos anos falecido, suas encantadoras músicas não deixam de ser ouvidas, em todos os lugares onde se comemora o São João. ?Asa Branca?, ?Assum Preto?, ?Feira de Caruaru?, ?São João na Roça? e tantas outras que alegraram e continuam alegrando o povo nordestino. Cada música tem a sua história, o seu motivo de existir. Vejamos: o xaxado teve sua origem no alto sertão pernambucano, desde a época de Lampião. Dizem os estudiosos do assunto que Lampião e seus ?cabras? quando estavam reunidos para comemorar alguma festa davam uma forte pancada com os fuzis no chão e jogavam suas alpercatas de couro contra o sol, dizendo xá, xá, xá de forma estridente. O xaxado nasceu, assim, dessa forma, ?dança macho dos cabras de Lampião?. O coco: trata-se de uma dança que reflete bem o litoral brasileiro em que os tiradores de coco vão escalando com maestria o sinuoso e musical coqueiro que balança ao compasso do vento. E o nosso Luiz Gonzaga, como sempre, apaixonado por nossa região da destaque também a esse ritmo musical. ?Eu nesse coco não vadeio mais, apagar o candeeiro e derramar o gás?. E nosso baião? Esse é quente, gostoso, excitante, fazendo os salões ficarem superlotados nas festas de São João. Eu tenho uma saudade imensa do São João da minha infância. As fogueiras enchiam as ruas, pois não havia nem transito nem pavimentação. Toda casa tinha uma. E quando ficavam só as brasas, começava a cerimônia dos compadres e comadres. ?São João dormiu, São João acordou, vamos ser compadres que São João mandou?. Aquela felicidade passou, porém em meu coração a fogueira da saudade continua. Que as festas juninas de nossa região continuem levando felicidade ao nosso povo nesse mundo tumultuado como o atual.