loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

PRA N�O DIZER QUE N�O FALEI DE ESPERAN�AS

Ouvir
Compartilhar

Penedo, ?mui nobre e leal cidade?, além dos encantos da arquitetura, foi referência na formação intelectual do homem do São Francisco. Este saber ultrapassou os limites do corredor fluvial e reverberou por todo Brasil. Em 1962 presenciei, junto com Ronaldo Conde, o ?velhote do Penedo?, outro notável fato da cidade. O geógrafo Milton Santos elegeu-se aqui presidente da Sociedade Brasileira de Geografia. As restrições a seu nome foram anuladas pelas vozes inflamadas de Caio Prado Junior, Manoel Correa de Andrade e Conceição Tavares, entre outros. Palavras vivas que ainda hoje reverberam em nossas pedras. Já em 1994 tive o prazer de arruar por estas ruas enladeiradas e sinuosas ciceroneando o bibliófilo e escritor José Midilin. Ele veio à cidade para falar sobre Elysio de Carvalho, nosso rebelde nato, tradutor de Oscar Wilde e aguerrido participante da Semana de 22. No último dia 8 de junho, outro de nossos fastos. Lamentei não estar na cidade para arruar com o jornalista Luís Nassif. Após entrevistar em Brasília a presidente Dilma Rousseff, no palácio de exílio dela, ele foi ao Penedo proferir palestra sobre Ética para jovens jornalistas. Não tenho dúvidas: o motivo para Nassif vir a uma cidade de pouco mais de 60 mil habitantes, nos grotões do Nordeste, num dos menores estados do País foi a certeza que o homem público, do Presidente da República ao Vereador, todos que constituem a administração pública, tiverem plasmada sua formação nas pequenas cidades. Aqui foram administradores, parlamentares, secretários, assessores e, sobretudo, cidadãos. Aqui aprenderam ? ou deveriam ter aprendido ? o sentido da palavra República; um bem que nasce de todos e que deve servir a todos. Destarte sua obrigação, enquanto homem público, é zelar pela riqueza comum de uma nação, pois assim se constrói uma Pátria verdadeira. Hoje trago uma certeza: Nassif não perdeu a esperança de fomentar um jornalismo novo, independente, onde os conceitos de honra e pátria estão assegurados; um jornalismo ético, enfim. Que os jovens que o ouviram contribuam na construção desse jornalismo e que, mesmo nas pequenas cidades, usem a inteligência e o poder da comunicação para fiscalizar os políticos. A denúncia somente é vazia quando eivada de mentiras; escudada na verdade, é um bem republicano. Que Nassif, ao lembrar o Penedo, acredite que sua lição será bem aproveitada e, ao final do dia, apanhe seu bandolim para cantar como Geraldo Vandré: ?Vem, vamos embora que esperar não é saber?.

Relacionadas