Opinião
MALANDRO JULGANDO MALANDRO
No meio da malandragem ?está tudo dominado? significa que está sobre controle. Em Brasília, a expressão se encaixou bem, apesar do turbilhão de informações desencontradas e repugnantes. A classe dominante do Congresso, principalmente, deixa transparecer que o redemoinho pode arrastar um monte de gente, mas no final tudo estará dominado. O que vai sobrar depois de tantas denúncias e ?valorosas? delações premiadas ninguém sabe. Há quem ache que não escapará nem um santo para operar milagre. E daí se tudo está dominado? Na cabeça da população o que domina é a perplexidade. Imaginava-se que isso existiu sempre, porém nunca com essa assombrosa dimensão e generalidade como se apresenta o escândalo da vez, aliado à mais longa e vergonhosa crise política da história republicana. Começamos, sinceramente, a sentir pessimismo, entendendo cada vez menos qual será o desfecho dessa desordem toda. Se apenas um criminoso se propõe a devolver R$ 75 milhões roubados, imagine o que ele, só ele, distribuiu em propinas para a interminável legião de supostos delatados! O eleitor, aquele consciente que acha que sabe escolher o melhor, deve estar se questionando por ter errado todas as vezes em que votou, independente do candidato que recebeu o privilégio do seu voto. A farinhada está amontoada num mesmo saco. A Operação Mãos Limpas, na Itália, que agora completou 24 anos, descobriu uma rede de cobrança de propinas, levando pelo menos 3 mil pessoas à cadeia e investigou 500 parlamentares, empresários e primeiros-ministros. E a Lava Jato, até onde chegará? Seu futuro já não estaria dominado? Se avançar até obter um final feliz, a dúvida é saber quem vai rir por último, se os rapineiros ou a população, principal vítima da crise moral, ética e econômica. A alternativa mais provável não é tão difícil imaginar. Malandro julgando malandro deixa a desconfiança de que o sentimento de esperança que ainda existe na maioria dos brasileiros vá se inspirando pouco a pouco. ?Melhor viver malandrando que morrer trabalhando?. Enquanto prevalecerem as normas dessa cartilha e não houver uma mudança radical no sistema político do País, ouviremos deboche e ofensas do tipo: ?A Petrobras é a madame mais honesta dos cabarés?, frase cinicamente pronunciada pelo explosivo delator Sérgio Machado. Alguém em algum tempo falou que: ?O político malandro é aquele que sempre escapa da justiça. E o político safado é como goiaba bichada, quanto mais vacilão ele é, mais cobertura de safados ele tem?. Será?