Opinião
MEU LUGAR � MACEI�
O grande romancista russo Leon Tolstoi, que escreveu os magistrais e épicos Guerra e Paz e Anna Karenina, afirmou que ?só seremos universais se conhecermos e amarmos a nossa aldeia?. Sempre gostei muito desta frase, que considero de uma atualidade inquestionável. Não vivemos em um país ou em um estado, vivemos, concretamente falando, nas cidades, sejam elas pequenas, médias, grandes ou metrópoles. O surgimento das pólis ou Cidades-Estados da antiga Grécia representou um importante avanço na história da organização social da humanidade. Foi este conceito que permitiu a possibilidade do desenvolvimento das sociedades e a evolução dos homens em torno de princípios e objetivos comuns. Nada mudou, apenas modernizamos o ?modus vivendi? da nossa ancestralidade humana. Continuamos sendo o velho Homo Sapiens das cavernas, o que pressupõe a disputa que possibilita a vida em conjunto. Como um apaixonado e estudioso das grandes questões urbanas e da história das cidades, tive a honra de ser convidado a participar do Seminário Internacional ?Meu Lugar. Cidades e Territórios: Encontros e Fronteiras na Busca da Equidade?, promovido pela Fundação Tide Setúbal/Folha de São Paulo, que teve lugar na Fecomércio, na cidade de São Paulo. O encontro contou com a participação de especialistas e intelectuais que dedicam suas vidas a encontrarem as melhores soluções para os graves problemas urbanísticos mundiais, a exemplo da socióloga holandesa Saskia Sassen, que popularizou e universalizou o conceito de Cidades Globais. A conclusão que mais me identifiquei, deste oportuno encontro para discutir as metrópoles, foi a de que os problemas das cidades são globais e suas soluções eminentemente locais. Defendi a tese do fenômeno decorrente da urbanização das cidades situadas nas regiões do capitalismo tardio e periférico, que denomino de Cidade Partida, em que ocorreu um crescimento vegetativo e em progressão geométrica metropolitana, tendo como consequências, grandes concentrações de riquezas, desigualdades sociais, desintegração econômica e o esgarçamento do tecido social. Entendo que a única solução para as contradições proeminentes nas grandes cidades, como Maceió, seja a democratização do espaço citadino, integrando todas as regiões da periferia pela horizontalização da gestão e dos investimentos públicos. Do contrário, como bem disse a professora da PUC/SP Aldaíza Sposati no seminário Meu Lugar: ?as cidades não fizeram seu dever de casa?. Tolstoi tinha razão!