Opinião
AS �GUAS DE PALMEIRA
Era abril de 1999 e, em Brasília, meu pai Helenildo Ribeiro assumia uma cadeira na Câmara Federal. Naquele momento, ele chegava à capital federal carregando uma mala com roupas e um sonho: transformar a economia de Palmeira dos Índios e melhorar a qualidade de vida dos palmeirenses. E, para ele, a fonte disso tudo estava na água. Passados pouco mais de oito anos, depois de uma verdadeira via crucis, seus dois principais projetos para essa transformação conseguiram sair do papel e virar realidade, num relativo curto espaço de tempo. Infelizmente meu pai faleceu antes de ver suas obras concluídas. Se aqui ainda estivesse, ele não deixaria acontecer o que vem ocorrendo com parte delas. Refiro-me às Barragens do Caçamba e, especialmente, a do Bálsamo. A primeira trata do abastecimento humano e passou a se chamar Adutora Helenildo Ribeiro, em homenagem ao meu pai. Está funcionando desde 2009. A segunda trata do aproveitamento da água para irrigação de uma área de 700 hectares. A obra está pronta há quase dez anos. E é sobre o uso (ou o mau uso) dessas águas a que me reporto. A adutora Helenildo Ribeiro foi projetada para reforçar o abastecimento de três municípios: Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas e Minador do Negrão. Essa população, de aproximadamente cem mil pessoas, era abastecida anteriormente apenas pela Adutora da Carangueja, que já não conseguia suprir a contento. Melhorou significativamente. Ainda convivemos com rodízios, mas a situação atual não se compara com àquela vivida até 2009. Sobre a barragem do Bálsamo, a situação é bem diferente. O projeto original era para uso exclusivo de irrigação, mas isso não vem ocorrendo. Talvez por uma força misteriosa, a barragem que está pronta há quase dez anos não teve ainda nem o primeiro perímetro de irrigação implantado, de 200 hectares, que custa em torno de R$ 3 milhões, menos de 5% do valor da obra de quase R$ 70 milhões, isso sem contar os valores pagos nas desapropriações. A água do Bálsamo não irrigou ainda nenhum pé de alface e ninguém sabe por quê, já que tem saldo suficiente na conta do convênio para implantação do primeiro perímetro. Como já disse acima, para irrigação ainda não, mas a barragem do Bálsamo já é utilizada para abastecer algumas comunidades rurais de Bom Conselho, Pernambuco. Portanto, fora do seu propósito original. Já não bastasse isso, o Governo está construindo uma adutora a partir do Bálsamo para o abastecimento de uma comunidade de Quebrangulo, e outra para o município de Estrela de Alagoas. Mais uma vez vão usar a água do Bálsamo para outros fins, que não o da irrigação. É óbvio que o consumo humano tem preferência sobre a irrigação. E não sou contra isso. Mas o que nos aflige é a opção pelo ?jeitinho? que o corpo técnico do Estado dá para resolver algumas questões importantíssimas, como nesse caso, preterindo uma solução sustentável que atenda a todos os municípios envolvidos. Com esses improvisos, o Estado fecha a única (e rápida) saída que Palmeira tem para se reencontrar com o desenvolvimento econômico. Meu pai, que completaria 70 anos este ano, dizia duas frases quase que diariamente: ?A adutora do Caçamba vai resolver o problema de abastecimento d?água de Palmeira por trinta anos?, e ?o projeto Bálsamo será a redenção de Palmeira!? O Caçamba já saciou nossa sede. Falta apenas a água do Bálsamo para germinar nosso futuro. Além de fundamental para o desenvolvimento de toda uma região, seria também uma grande homenagem a quem idealizou e lutou tanto para que esses projetos transformassem Palmeira, se o Estado implantasse ainda este ano, o primeiro perímetro de irrigação do Bálsamo, e devolvesse a Palmeira as águas do nosso progresso, um sonho real que um dia teve Helenildo Ribeiro.