Opinião
ENGENHARIA SOCIAL
Há muitos médicos, advogados e empresários no Congresso Nacional. Estão em maior número que engenheiros e agrônomos e são mais ruidosos. Diante dessa constatação, Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, com apoio das entidades regionais, decidiu encetar uma campanha voltada para a valorização dos profissionais no âmbito parlamentar e, subsequente, ampliar a presença dentro do contexto desenvolvimentista brasileiro. Na segunda-feira houve em Maceió o Congresso Estadual de Profissionais, evento preparatório para o Congresso Nacional de Profissionais, previsto para o final de agosto, em Foz do Iguaçu. Mas antes disso, na próxima semana, no Rio de Janeiro, a Federação Nacional dos Engenheiros dá prosseguimento ao movimento Engenharia Unida que tem por objetivo ir de encontro à paralisia econômica e promover a implantação de uma política industrial com ganhos de produtividade e avanços em ciência, tecnologia e inovação. Parece verborrágico, mas não se iludam: nós, engenheiros, podemos soar frios e calculistas, mas ao longo das últimas décadas a presença da engenharia dentro da estrutura sócio-econômica brasileira foi além do que sonha a vã filosofia. Escrevo com conhecimento de causa. Exerci o ofício aqui e no Rio de Janeiro. Lá, em plena ditadura, enquanto erguíamos obras como a Ponte Rio-Niterói, fui eleito vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros. Seria cômodo adotar uma postura exclusivamente classista. Mas, ao lado de outros companheiros, decidi romper a barreira do sindicalismo e praticar o que poderia ser chamado, naquela época, de ?engenharia social? (hoje, isso ganhou uma abrangência ainda maior). Os barracos das favelas cariocas não se sustentam per si. O churrasco na laje requer cálculo. E era o que nós fazíamos. Conversávamos com o ?patrão? do morro e, autorizados, íamos lá ajudar os moradores na construção do parecia ser improvável, ao mesmo tempo, ajudávamos na construção de uma sociedade disposta a combater o autoritarismo. A atividade política eletiva acabou me distanciando da prática da engenharia. Então, foi com surpresa e imenso orgulho que recebi o convite para liderar o movimento no Parlamento que deve conduzir à consolidação de uma Frente Mista Parlamentar de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional. Não se trata de uma manifestação setorial. Queremos um incremento na produção industrial vinculado à competência tecnológica e ganho social. Abaixo o jogo de cartas marcadas. A Frente ? que deve congregar também outras categorias com discurso análogo, como, por exemplo, economistas ? está pensando o País, está disposta a reequacionar o que move a estrutura econômica, está disposta a romper com o que nos atrasa e apostar no futuro. Daqui a 60 dias vamos pôr à prova o que estamos discutindo e instalar a Frente Parlamentar Mista. É compromisso!