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Opinião

OS CISNES DO LAGO LEMANO

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Uma imagem literária surge ao lado de um famoso processo judiciário ocorrido na plácida cidade de Genebra, na Suíça, tida como a maior pequena cidade do mundo. Ali, no imenso e manso lago Lemano, desfilam cisnes brancos, belos e elegantes, que suscitam olhares de admiração. Os mesmos cisnes brancos se tornam grotescos, desengonçados e esconsos, quando sobem à terra e procuram se locomover sob o novo clima de barulho e adversidades. Essa imagem ilustra a tragédia humana daqueles que alcançam relevo social e depois caem, abatidos pelos infortúnios das tristes histórias de amor. E enfrentam o julgamento implacável daqueles que anteriormente os aplaudiam. O talento jornalístico do vigoroso escritor Carlos Lacerda narrou em crônicas e depois reuniu em um livro páginas do julgamento, de repercussão em toda Europa, do dirigente político dr. Pierre Jaccoud, conselheiro do Cantão de Genebra, deputado, presidente de Entidades, inclusive da Ordem dos Advogados do Cantão, ?autêntico representante da sociedade suíça?, acusado de invadir armado a casa do namorado de sua bela e jovem amante, na escuridão da noite, e matar o pai e ferir a mãe de seu rival. A eloquente peça de sua defesa, do renomado advogado Maítre Floriot, analisou a precariedade das provas, mas não impediu sua condenação, reconhecida pela sociedade que dele muitas vezes tanto se orgulhara. O escritor Carlos Lacerda compara o famoso réu Pierre Jaccoud a um dos cisnes do lago Lemano, desequilibrado pela sua tragédia pessoal. E, numa observação psicológica, lembra que as pessoas de brilhante talento ficam marcadas por esse pecado, que os medíocres não perdoam nunca. Os resultados dos polêmicos e apaixonados julgamentos confirmam a sábia reflexão do padre Antonio Vieira, em um dos seus célebres Sermões: ?Deus julga o que conhece; os homens, o que não conhecem?. A história dos seres humanos e de suas incontidas paixões possue reservas e fragilidades que contrariam a vaidade de seus gestos e de suas eternas ambições.

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