Opinião
PARIS NA EUROCOPA 2016
Os raios solares primaveris decoravam Paris majestosamente! Numa temperatura amena, a cidade brindou os visitantes da Eurocopa 2016. Estava repleta de atletas, torcedores, enfim, turistas. Os monumentos tradicionais, concorridíssimos. Uma verdadeira festa! Visito-a com relativa frequência. Na Torre Eiffel, uma grande bola de futebol saudava o evento. A iluminação homenageava o país vencedor, vestindo-se das cores de sua bandeira. Gostei do enfoque do presidente da nossa AAL (Academia Alagoana de Letras), jurista Carlos Méro: ?Paris é sempre Paris: cada esquina, uma história; cada manhã, uma descoberta; cada noite, um deleite?. E eu ouso complementar: cada visita, uma nova emoção. O cosmopolitismo violento tentou mudar as paisagens parisienses: policiais armados, muitos com metralhadoras, em incontáveis pontos da cidade, pareciam nos assustar. Nas lojas, eram feitas inspeções: bolsas revistadas e detectores de metais. Mas Paris supera qualquer tentativa de magoá-la ou ofuscá-la, oferecendo aos visitantes sua atmosfera calorosa e aconchegante. Fui, em companhia de amigas, a Giverny, a pouco mais de uma hora de Paris, visitar os jardins, as pontes e o Museu Claude Monet. Encantadores! As românticas e coloridas paisagens se incorporaram aos derradeiros dias de primavera, exacerbando seu bucólico e deslumbrante cenário. Ao lado do taxista que nos levou ao passeio, conversávamos sobre a Eurocopa. O jovem era exímio conhecedor de futebol. Comentou nosso atual contexto futebolístico com detalhes e opiniões pertinentes. Surpreendeu-me a lucidez com que se referiu ao Brasil: como pode um país em crise financeira sediar uma Copa do Mundo? Fez incríveis considerações aos gastos abusivos com nossas arenas e obras inacabadas. Pasmei! Como um estrangeiro fazia críticas tão plausíveis aos nossos gestores! A Suécia, país estruturado, recusou sediar os Jogos Olímpicos de 2022, por entender que o país ?tem outras prioridades?, e que usar a verba pública para promover o evento seria ?especular com o dinheiro do contribuinte?. Em agosto, teremos as Olimpíadas no Rio. Imagino como o Brasil será visto no exterior, diante do atual cenário tão obscuro e mórbido. Esqueçamos nossas mazelas e fiquemos com a mente florida dos Jardins de Monet. Revivamos Paris na Eurocopa de 2016!