Opinião
O futuro da Previd�ncia
O gasto com a Previdência Social no Brasil deve dobrar em 30 anos, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea. Hoje, esse gasto representa 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e tende a ser de 15% em 30 anos. Isso porque a população brasileira está envelhecendo em ritmo acelerado, ao mesmo tempo em que começa a diminuir a população em idade de trabalhar. De acordo com dados do IBGE, 13% da população brasileira tem hoje mais de 60 anos. A previsão é que, em 2040, chegue a 25%. Nesse ritmo, dentro de poucas décadas, o País terá, de um lado, uma população envelhecida e, de outro, uma população trabalhadora reduzida, o que representa um desafio para a questão da seguridade social. Para os especialistas, é preciso, o quanto antes, formular novas políticas públicas para lidar com essa mudança demográfica. Entre essas novas políticas está uma reforma da Previdência para equilibrar os gastos previdenciários. O governo do presidente interino Michel Temer já criou grupo de trabalho para discutir a reforma. Temas difíceis de serem aprovados pelo Congresso, como a desvinculação dos benefícios do salário mínimo, devem ficar de fora, mas a ideia é fixar idade mínima para a aposentadoria em 65 anos, inclusive para servidores públicos, que hoje podem se aposentar aos 55 (mulheres) e 60 (homens). Haverá regras de transição. Ao redor do mundo, a maioria dos países está reavaliando seus sistemas de previdência social. Na medida em que a população envelhece e os antigos sistemas de previdência passam a consumir cada vez maior parte das receitas nacionais, as reformas tornam-se inadiáveis. As reformas parecem sempre caminhar para a implantação de sistemas conjugados de previdência pública, previdência complementar obrigatória e previdência complementar voluntária. No entanto, mesmo aqueles países que já adotaram essa proposição ainda estão ajustando seus rumos, pois o envelhecimento da população mundial é irreversível. Ou seja, a questão da reforma da Previdência no Brasil deve ser feita a partir de uma ampla discussão, pois é um algo que pode comprometer as futuras gerações. O risco, porém, é mais uma vez se empurrar o problema com a barriga e aprovar uma meia-sola.