loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Aposentadoria

Ouvir
Compartilhar

MILTON HÊNIO * O governo trabalha para modificar a Previdência e conseguir um planejamento, uma organização das aposentadorias. Porém a coisa é muito complicada. O rombo da Previdência é incalculável, o governo não tem recursos para investir, precisa fazer sofrer o País com impostos crescentes e ainda luta contra os militares e o Judiciário, que exigem tratamento especial. Os conflitos de opinião são evidentes e o ministro Ricardo Berzoini fica no meio de um fogo cruzado já sujeito a protestos e greves quando anuncia a retirada de 10% dos inativos. A previdência pública foi criada para dar segurança ao futuro dos idosos. Mas entre nós brasileiros ela já foi tão desvirtuada que o idoso já está com medo de, com o passar dos anos, não ter a Previdência condições nem de pagar o que ele tem direito. As discussões não param: aposentadoria com 60 ou 65 anos é a base da questão. Somos um país em que a média de vida gira em torno de 65 anos. Poucos, dessa forma, vão aproveitar bem sua aposentadoria. Depois de tantos anos de luta chega a velhice. Ah, velhice ingrata! Com uma aposentadoria minguada, 76% dos aposentados brasileiros, segundo o IBGE, ainda ajudam na manutenção da família, filhos e netos. Não sobra nada, portanto, para o seu próprio lazer. Envelhecer é o final de todos nós. Triste, porém, é envelhecer passando necessidade. E muitas vezes sozinho, sem o apoio da família. Envelhecer em solidão é triste porque, na verdade, a mente e o espírito não envelhecem. Miguel Ângelo pintou suas maiores telas aos 80 anos e Sócrates, o grande filósofo grego, aprendeu música aos 80 anos. A velhice não é uma ocorrência trágica, mas uma mudança que precisa, porém, de amparo, de solidariedade. É triste um homem idoso depois de ter criado os filhos com tanta luta ficar desprezado, num asilo, ou uma mãe, após toda uma vida de sacrifícios, sozinha num abrigo ou sem acompanhante. Um velho aposentado! E o que é um velho? Poeticamente eu diria que o velho dorme após o silêncio e acorda com o galo; percebe o preto e o branco do cotidiano e o colorido de suas recordações, abraça nuvens, cavalga estrelas. Com incrível facilidade voa na asa do passado, sensibiliza-se com o choro de uma criança. Sentado no banco da praça de sua cidade, com seu chapéu na cabeça, ao lado dos companheiros, não pede licença para sentir nem para dizer. Sofre, entretanto, com sua aposentadoria minguada e muitas vezes a ingratidão da família que o julga um papel picado. Sente o vazio do momento sem poder preenchê-lo. Não desprezem os seus velhos, meus amigos. A Nação que é grandiosa deve preservar seus idosos como relíquias preciosas. Nos Estados Unidos todos os idosos têm a proteção da polícia e a preferência onde chegam. André Maurois dizia: ?O mal da velhice é pensar que a velhice é um mal?. Ser idoso é uma vitória. Significa que você atravessou todas as barreiras e chegou lá. Vamos animar sempre os nossos idosos porque só assim eles ficarão felizes. Diz o Salmo: ?Na velhice darão frutos cheios de seiva e de verdade?. Que os nossos idosos sejam felizes na sua aposentadoria e possam dizer contentes: ?À medida que o tempo passa mais aumenta a minha vontade de viver?. ( *) É MÉDICO / [email protected]

Relacionadas