Opinião
Que fazer?
Numa longa e reveladora entrevista concedida à revista Carta Capital, edição da semana que passou, o ministro da Fazenda Antônio Palocci falou o que pensa à respeito da crise da economia brasileira, das privatizações do governo FHC, das reformas da previdência e tributária. Emerge da leitura a idéia que o ministro está (ou se considera) investido de poderes como nenhum outro titular da pasta, salvo Delfim Neto, considerado em sua época o ?czar? da economia. Dentre outras considerações que afetam a vida de todos os brasileiros, Palocci foi didático ao esclarecer que 2003 ?é um ano em que nós devemos, de maneira adequada, preparar o País para coisas que podem ser feitas com mais intensidade no próximo período?. Mais enfático, assegurou que ?no plano do desenvolvimento econômico, também mesmo sendo um ano de recessão, de pouco crédito, você pode estruturar um conjunto de medidas que dêem condições de o Brasil começar a se preparar para um período de crescimento?. Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a posição do governo federal frente aos especuladores internacionais, Palocci reafirmou a manutenção dos contratos, como premissa para que o País possa manter a estabilidade (diminuir o chamado ?risco-Brasil?, renovar os fluxos de financiamento) para criar as bases de um crescimento sustentável com distribuição de renda. É dentro dessa premissa que se pode entender o aumento na taxa básica de juros. Por mais oficialmente que se diga que foi um medida destinada a combater a inflação, qualquer economista não ligado ao mercado de capitais sabe que não existe um aumento de demanda ? muito pelo contrário ? que justifique uma medida de tal natureza e que os aumentos de preços decorrem de variações no câmbio. O cenário imaginado pelo ministro da Fazenda é muito otimista: a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, afetará pouco o Brasil. O País será capaz de continuar aumentando as exportações. O crédito para financiar nosso crescimento será restabelecido, pois o governo vem tomando medidas para criar um clima de confiança com o mercado de capitais. E então o Brasil voltará a crescer, fácil não? Quem duvidar é só esperar. 2004 vem aí.