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Asas do descaso

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Bastou um simples mosquito para provar o tremendo prejuízo causado ao povo brasileiro pela utilização eleitoral do Ministério da Saúde pelo grupo FHC. O corpo técnico do Ministério da Saúde é reconhecido como um dos mais competentes, em sua área de atuação, de toda a máquina governamental. Durante décadas, médicos e demais profissionais da saúde esforçaram-se para construir uma equipe capaz de entender e enfrentar os problemas de saúde pública no País. O plano de combate à dengue, detalhadamente elaborado na gestão Adib Jatene, é apenas uma das evidências dessa competência. O engavetamento desse mesmo projeto por parte de José Serra é uma prova do descaso e da manipulação eleitoral de um grande ministério. A tragédia nacional (centrada no Rio de Janeiro) da dengue é uma das conseqüências dessa espúria utilização de um ministério essencial para a população brasileira. Condenado a ser o epicentro desse drama, o Rio de Janeiro está sofrendo na pele outras picadas da inconseqüência da gestão Serra/FHC. Parece até ironia, mas foi detectada a presença da malária no cenário carioca. E a causa? Agentes de saúde, contaminados, que foram enviados de outras regiões do País para combater a dengue no Rio de Janeiro. De uma amostragem colhida em 90 dos mil agentes oriundos de regiões endêmicas, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro detectou nove pessoas contaminadas pela malária plasmodium vivax. Estão sendo tratados, mas é evidente o descaso do Ministério da Saúde para com seus próprios funcionários e para com as populações onde esses atuam. Como a equipe de José Serra deve saber, o mosquito transmissor da malária - o anopheles - pode ser encontrado facilmente em áreas cariocas como Jacarepaguá, Campo Grande e Baixada Fluminense. Não transmitem a moléstia porque não encontraram (ainda) pessoas infectadas. Como se vê, a herança deixada por Serra e avalizada por FHC ainda pode dar muito o que falar e do que tratar.

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