Opinião
Jovens vidas interrompidas
Um estudo encomendado pela Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostrou que, em 2013, o Brasil registrou 10.520 assassinatos de crianças e adolescentes, o equivalente a quase 29 casos por dia. Somente em Alagoas foram 541 infanticídios naquele ano, índice mais alto entre os estados. Maceió também figurou entre as capitais com maior número de casos. A quantidade de infanticídios, que só tem crescido desde 1980, coloca o País só atrás de México e El Salvador, como o terceiro mais violento do mundo entre 85 nações ? de uma lista foram retirados países com conflitos recentes, como a Síria. E a tendência para os próximos anos não é de melhora. A análise mostra que as mortes de crianças e adolescentes por causas naturais sofreram queda de 78,5% em 33 anos, enquanto os óbitos por causas externas ? denominação que inclui acidentes de trânsito, suicídios e homicídios ? cresceram 22,4% no período. A maior parte é do sexo masculina e negra. Para especialistas, o que explica esse crescimento é a escalada da violência homicida, que se transformou na maior causa de letalidade de nossas crianças e adolescentes. O mais grave é que essa realidade parece já não causa indignação, como se a violência fosse algo natural e inevitável. Estudos apontam que a organização social e econômica em grandes cidades favorece a violência. Verifica-se um clima de agressividade tanto no meio familiar, quanto nas outras relações. No Brasil, desde a década de 1980, houve uma metropolização acelerada e, junto com esse fenômeno, houve a marginalização de setores da sociedade, privados de direitos básicos, o que favoreceu o aumento da violência. Os dados mostram que leis e programas de proteção existentes ou são insuficientes ou são ineficientes, pois não estão surtindo os efeitos esperados. Tem havido algumas iniciativas bem intencionadas nesse sentido, mas os resultados ainda são incipientes. Para o enfrentamento da situação é necessário o fortalecimento de políticas integradas de União, estados e municípios, que deem aos jovens pobres acesso à educação, saúde, esporte, lazer e cultura. É preciso também maior participação social na cobrança pela resolução do problema.