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A SOBREVIV�NCIA DOS JORNAIS IMPRESSOS

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Da minha adolescência recordo que o mercado jornalístico alagoano era disputado pela Gazeta e o Jornal de Alagoas, veículo dos Diários Associados do paraibano Assis Chateaubriand, componente de uma poderosa rede de comunicação distribuída pelo País, composta por jornais, rádios e emissoras de televisão; algo como a Rede Globo atual. Recebíamos jornais do Rio de Janeiro, O Globo e o saudoso Jornal do Brasil, cujo Caderno B era sensacional, além do alternativo e cult Pasquim, que usava a criatividade e o humor para enfrentar a repressão do regime militar. Desconhecíamos os jornais paulistas. No Rio de Janeiro houve época na qual circulavam diariamente 15 jornais: entre vespertinos, matutinos e noturnos. O Jornal de Alagoas e os Diários Associados findaram-se há muito tempo; o Jornal do Brasil funciona com uma edição digital irrelevante. A extinção de jornais impressos é um fenômeno que ocorre nos maiores centros, sem poupar os países mais cultos e ricos. A revolução digital, com a veiculação rápida de notícias e informações pela internet, configura uma concorrência crítica; situação retratada no recente debate entre Margaret Sullivan, do New York Times, e o professor Clay Shirqy, da Universidade de New York: Sullivan é mais otimista sobre o futuro dos jornais impressos, mas Shirqy vaticina seu fim definitivo, só lhes restando o meio digital. Concorrendo com a revolução digital, o mercado publicitário nos últimos dez anos no Brasil aumentou seus investimentos em 120% na TV aberta, ao tempo no qual reduzia em 36% nos jornais impressos. No Brasil da crise, essa questão tem obrigado os maiores jornais a fazer seus inevitáveis ajustes internos, como também a investir em suas edições digitais e nos departamentos de tecnologia, buscando mais produtividade por menos. Eles permanecem como os veículos mais importantes na formação da opinião pública, consolidando aspectos fundamentais como o aprofundamento da opinião e a investigação com direito à réplica, abordagens raramente presentes nas redes sociais, angariando prestígio para a empresa. Eis uma saga heroica, cuja sustentabilidade econômica é desafiadora, e para a qual o aumento da expectativa de vida do publico leitor de jornais impressos no Brasil é um alento. A Gazeta de Alagoas impressa, surgida em 25 de fevereiro de 1934, é um patrimônio das Alagoas, faz parte do meu café da manhã, como faz do de milhares de alagoanos que reconhecem e respeitam a sua vigorosa luta pela sobrevivência.

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