Opinião
A VIOL�NCIA NO INTERIOR DO BRASIL
O número de homicídios caiu em Alagoas nos seis primeiros meses do ano em relação a 2015. Seria motivo de comemoração, mas há algo a se esclarecer com relação aos dados apresentados no início desta semana: houve redução na capital, porém crescimento no interior (Maceió apresentou queda de 27,7%; Arapiraca aumento de 39,7%). A imagem bucólica, pacífica, de municípios habitados por gente tranquila avessa à confusão, vem sendo substituída por tiros, mortes, assaltos e bancos indo pelos ares. É bom frisar que isso vem ocorrendo não apenas em Alagoas. Outros estados da Federação passam por fenômeno semelhante. É como se a violência estivesse migrando para o interior tangida pela ação das forças de segurança nas capitais. Se é isso mesmo, a estratégia, então, está errada. A globalização, intensificada a partir dos anos 90, trouxe benefícios para a sociedade brasileira disseminando informação e aproximando regiões, mas os aspectos nefastos decorrentes acabaram por apagar traços culturais e instalar uma prática mimética, principalmente depois da internet e dos smartphones. Os tradicionais núcleos familiares do interior do Brasil foram esgarçados e os mais jovens passaram a almejar algo além da paisagem bucólica mencionada. Abre-se espaço para as drogas, paras as armas e para o culto ao delito como maneira de afirmação social. As cidades crescem, os crimes aumentam, mas a estrutura de combate continua a mesma. As capitais investiram em tecnologia e inteligência, contudo muitas cidades dispõem não mais do que alguns soldados para garantir a segurança de todos. Há, então, um clamor por mais homens, mais armas, por mais cadeias, por penas mais duras. A tática repressiva tem de ser privilegiada, dizem. Todavia, a repressão exclusivamente não vem se mostrando eficaz para resolver todos os problemas. Precisamos adotar medidas preventivas, como investir mais em educação, mas quando o fazemos, erramos na dose. O Governo Federal agiu certo ao interiorizar as universidades, mas o ensino pré-escolar, o básico, o fundamental continuam entregues à própria sorte já que as prefeituras vivem uma crise sem precedentes. Imagens de escolas do interior do Brasil, com crianças sentadas no chão, sem merenda e sem futuro, correm o mundo. A formação do cidadão começa na tenra infância não podemos esquecer disso. Uma imensa responsabilidade recai sobre o Parlamento brasileiro. Estamos lutando por uma educação melhor ? a aprovação do Plano Nacional de Educação, que destina 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para o setor, é um exemplo disso. Mas o pensamento bélico é forte. Muitos preferem balas a livros.