Opinião
Como dois e dois
Relatório internacional divulgado ontem revela que a qualidade da educação em matemática e ciência no Brasil é uma das piores do mundo. Num levantamento feito em 139 nações, o País está na 133ª posição no que diz respeito à apreensão de conceitos matemáticos e científicos. Por outro lado, segundo o Global Information Technology, que desde 2001 avalia como os países estão se preparando para a nova era de inovação tecnológica e de que forma estão aproveitando competências de informação e comunicação, o Brasil subiu algumas posições no ranking geral ? passou do 84º lugar para o 72º. As razões para essa melhora estariam na popularização do acesso à internet e celulares. O problema apontado pelo estudo é que nosso ambiente de inovação ainda é um dos piores do mundo, pois a qualidade da educação em matemática e ciência, que são habilidades importantes, ainda é fraca. No ranking de qualidade dessas áreas, o Brasil está mais ou menos no mesmo nível de países como Moçambique, Guatemala, Peru, Nicarágua e Paraguai. A baixa qualidade da educação brasileira vem sendo revelada por diferentes estudos. Relatório recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o Brasil é um dos dez países com mais alunos com baixo rendimento escolar em matemática, leitura e ciência. De acordo com o levantamento, 1,1 milhão de estudantes brasileiros com 15 anos não têm capacidades elementares para compreender o que leem nem conhecimentos essenciais de matemática e ciências. Nas últimas décadas, o Brasil conseguiu avançar em direção à universalização do ensino fundamental. De fato, é cada vez maior o número de crianças na escola. Entretanto, também é grande a evasão escolar. Para cada 100 alunos que entram na primeira série, somente 47 terminam o 9º ano na idade correspondente, 14 concluem o ensino médio sem interrupção e apenas 11 chegam à universidade. Para inverter esse quadro, é necessário que o poder público, em todos os níveis, coloque a educação como prioridade, transformando o discurso eleitoreiro em prática. É preciso investir na valorização e formação do professor, na estrutura das escolas e adotar uma base curricular adequada. Só com uma educação de qualidade o Brasil poderá pensar em desenvolvimento sustentável.