Opinião
O FASCINANTE JOGO DA VIDA
A trajetória de cada ser humano está marcada pelo clima de jogos e de circunstâncias que inspiram seu destino. Nas interrogações das encruzilhadas, nas decisões das escolhas e nos caprichos da sorte, se definem os traços predominantes de sua mágica caminhada sobre a face da terra. O bravo escritor peruano Mario Vargas Llosa, com genialidade, dissertou ? o jogo é uma forma de ficção, uma ordem artificial aplicada sobre o mundo, uma representação de algo ilusório que substitui a vida. O homem joga para se distrair, para esquecer a verdadeira realidade e a si próprio. Inúmeros intelectuais e renomados escritores exaltam a essência da arte de jogar, de competir, definida em distração, divertimento e fabulação, ou mesmo, um recurso mágico a conjurar a força secreta do mundo e de seus misteriosos desígnios. Um impulso para mudar o destino das coisas, uma vocação de surpreendentes alegrias renovadoras e sonhos de felicidades. Caminhos que possibilitam o triunfo das competições e das almejadas realizações, além das soluções às tormentas que sufocam a existência dos seres humanos. Em seu célebre ensaio ?Homo Ludens?, o escritor holandês Jonh Huizinga sentencia que o jogo é a coluna vertebral da civilização e a sociedade evoluiu para a modernidade de maneira lúdica, construindo suas instituições, seus sistemas, suas práticas e suas crenças. Suas ideias elegeram o jogo como um elemento cultural e um fenômeno de extensa perspectiva histórica. Inato ao homem, uma regra capaz de negar muitas abstrações e muitos valores. Sendo possível se negar a seriedade, mas não o jogo. Um forte componente de tensão e alegria capaz de empolgar a vida. Assegura a crítica que, no mundo do escritor argentino Júlio Cortazar, repleto de palavras contundentes, o jogo esconde uma virtualidade perdida diante da reflexão séria do adulto, para escapar de uma realidade de insegurança e de ameaças. Os jogos perigosos, depois do esquecimento das preocupações, deixam dolorosas lembranças. Em outras situações, representam um refúgio para a sensibilidade e a imaginação, um meio para que os espíritos ingênuos se defendam contra o esmagamento social e os desafios da existência. Viver, amar e lutar, imitam sorrateiramente o jogar, na busca do prêmio da alegria e dos braços da fé redentora.