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Opinião

POUCA GL�RIA, NENHUMA GRANDEZA

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Jânio Quadros desde o início dos anos 1950 usava a vassoura em suas campanhas eleitorais para deputado, prefeito e governador. Seus comícios eram acompanhados por multidões carregando vassouras e tochas iluminadas. A vassoura se espalhava como símbolo em panfletos, cartazes e pela imprensa por todo o País. Depois de tomar posse em janeiro de 1960 (ao lado do vice-presidente João Goulart) Jânio decretou uma série de medidas de efeito duvidoso: proibiu as corridas de cavalo em dias de semana, as rinhas de galo, o uso de maiôs cavados nos desfiles de misses, e de lança-perfumes no carnaval. Aboliu o jogo de baralho em clubes e entidades públicas. Tentou controlar as estatais, criando comissões chefiadas por militares para averiguar seu funcionamento, com resultados pífios. Como prefeito de São Paulo, proibiu a admissão de alunos homossexuais na Escola Municipal de Bailado, no que foi atendido pela diretora que lhe apresentou uma lista de 25 jovens considerados anormais, sumariamente eliminados. Sua renúncia à Presidência da República, inesperada, abrupta e ainda hoje inexplicada, tem como folclórica justificativa seu inconformismo com um Legislativo fisiológico e indócil, donde, após tomar um porre homérico, planejara a renúncia para retornar nos braços do povo, com poderes absolutistas. A renúncia do deputado Eduardo Cunha à Presidência da Câmara Federal não tem nenhuma grandeza: Cunha tem contra ele vários processos que fatalmente o levarão à cassação do mandato. No ínterim entre o seu afastamento e a sua renúncia, sua cadeira foi ocupada por um cidadão imensamente inapto e a Câmara depreciou-se ainda mais. Seria um valoroso serviço prestado, uma sinalização extremamente positiva à Nação, se os senhores deputados elegessem alguém com algum potencial de respeito e credibilidade na opinião pública para substituí-lo. O Brasil angustiado clama: vive fase interminável de descrédito e desconfiança com suas lideranças, com raras e restritas exceções, como a República de Curitiba. Shakespeare, que segundo Harold Bloom, inventou o humano na literatura, por conhecer como ninguém a alma humana, em sua peça Henrique VIII, escreveu ?Alcancei o ponto mais alto da minha grandeza/ e do apogeu de minha glória/apresso-me em recolher-me?. Desprende-se daí, e, novamente com raríssimas exceções: a realidade mostra enganosa glória e nenhuma grandeza nos nossos homens públicos.

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