loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

EVOLUINDO PARA A ESCRAVID�O

Ouvir
Compartilhar

O Brasil foi o último País ocidental a decretar o fim da escravidão. Até pouco mais de um século ainda era legal, bonito, e até prestigioso, escravizar outro ser humano. Mas a abolição no Brasil não só tardou, quanto falhou. Mais de um século depois o trabalho escravo ainda existe pelos quatro cantos do País. Não são escravos acorrentados, conduzidos a chibatadas. São trabalhadores sem direitos, sem escolha, com salários miseráveis e jornadas excessivas. Eles garantem a boa vida da classe escravocrata. Excessos no vestuário, viagens, baladas, vinhos de 300 dólares, bolsas de 5 mil reais... Escravos brasileiros trabalham duramente para manter, no seio da nossa sociedade, alguns milhares de mulheres ?belas, recatadas e do lar?, por exemplo. Seus salários miseráveis perpetuam a desigualdade social do nosso Brasil varonil. Mas, por um curto tempo da nossa história, houve um princípio de mudança. Os programas sociais reduziram a oferta excessiva de mão de obra escrava. Uma multidão de mulheres se recusou ao cativeiro de casas de família, onde trabalhavam, muitas vezes, por menos de um salário mínimo, em jornadas excessivas. Já era possível alimentar suas crianças sem ter que viver no cativeiro. Isso não é propriamente o que se pode chamar de liberdade, mas já era um bom começo. No último ano somou-se aos programas sociais, a lei da doméstica, para tentar minimizar distorções nesta profissão. Escravocratas teriam agora que pagar horas extra, adicional noturno, dentre outros direitos tão fundamentais. Parecia o prenúncio do fim das chibatas... O Brasil teria, então, um bom motivo para comemorar o Século XXI da era cristã. Mas a nossa história é cheia de reviravoltas: Eis que ressurge, das cinzas, a chibatada do ano: Aumentemos a jornada de trabalho para ?80 horas semanais?! O apelo, feito pelo Presidente da CNI, usa uma retórica leviana. Sugere que a França, berço da liberdade, igualdade e fraternidade, estaria mudando sua jornada para, pasmem, 80 horas semanais. Isso seria, segundo ele, uma estratégia para voltar a ser ?competitiva?. Eu me pergunto: de que competitividade este Senhor de Engenho moderno está falando? Seguiremos modelos de países miseráveis que sustentam a economia com o assassinato de escravos em minas de carvão? Escravizaremos pessoas no campo e nas indústrias para termos uma economia forte, com a renda concentrada nas mãos de escravocratas? É este caminho que se apresenta para sermos ?modernos?? Merci beaucoup, Monsieur: não devemos lhe oferecer nosso pescoço.

Relacionadas