Opinião
Banditismo terrorista
Assustadora ? essa é a situação vivida pelo Rio de Janeiro, uma das cidades mais belas do mundo e referência para a cultura latino-americana. Não adianta chorar pelo Rio de Janeiro como se os demais estados brasileiros estivessem longe de sofrer as privações e opressões que insistem em flagelar a Cidade Maravilhosa. O que lá acontece é uma desgraça nacional e, em menor ou maior escala, ou com variações na aparência, tendem a acontecer ou já estão acontecendo nos quatro cantos do Brasil. O poder do crime organizado é, a cada dia, mais assustador. Ontem, a população carioca foi castigada com várias ações de terror, perpetradas pelos bandos integrantes do crime organizado. O pânico foi metodicamente espalhado por 22 bairros, atingindo também a região metropolitana de Niterói e as áreas de São Gonçalo e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O Corpo de Bombeiros do Rio informou que até o fim da tarde de ontem havia contado 23 ônibus, oito carros e um caminhão queimados. Mais oito ônibus foram depredados e quatro metralhados. 13 passageiros de um ônibus ficaram feridos em conseqüência de explosões de ?coquetéis molotov? (bombas caseiras incendiárias feitas com garrafas cheias de gasolina). Além dos ônibus incendiados, granadas e bombas caseiras explodiram nas zonas norte e sul, motoristas foram assaltados e policiais entraram em confronto com criminosos. O comércio ficou parcialmente fechado e alunos deixaram de ir às escolas. Não há registro do número total de feridos. Segundo a Federação do Comércio do Rio de Janeiro, o comércio carioca deixou de faturar, ontem, cerca de R$ 50 milhões. Para as autoridades policiais, a onda de terror tem um mandante: Fernandinho Beira-Mar e seu Comando Vermelho. O problema é que se não for Beira-Mar e sua falange criminosa, certamente outros líderes e outras facções estão preparadas para ações dessa envergadura. Essa é a tragédia que tem de ser enfrentada sem mais paliativos, politicagens ou covardias. O Estado brasileiro tem de assumir o seu papel antes de ser desmoralizado completamente.