Opinião
IDEIAS E PALAVRAS
É possível pensar sem se utilizarem palavras? Palavras e ideias se equivalem? As ideias são originárias do nosso fluxo mental, é fato. Significam representações das coisas do nosso universo psíquico, social ou físico; enfim, dos Seres (em linguagem filosófica) tangíveis ou não, por exemplos, Automóvel, Amor, Ódio, etc. Por terem sentido amplo, por vezes subjetivo e até ontológico, sem contar que não se deixam manipular em ambiente de pesquisa, dada sua conformação, apenas se sabe que as ideias são produto das reações neuroquímicas que ocorrem nos circuitos sinápticos (conexões) das células nervosas do cérebro. Noutros termos, as ideias detêm feição enigmática, tanto o é que muitos ainda as consideram exalações do espírito. As palavras, por sua vez, são representações da linguagem dos signos articulados num código estabelecido para comunicação. Estas como aquelas, as ideias, são fenômenos culturais. Requerem, todavia, habilidades cognitivas inatas que se desenvolvem ao longo de uma existência, mediante uso. As ideias, a rigor, precisam das palavras, vocábulos, para se manifestarem adequadamente. Ou seja, essas são vetores daquelas. De modo que quanto mais diversificado for um léxico mais habilidade se tem para pensar, conceituar, enfim, se comunicar. Diante disso, é fácil e comum a percepção de que um sujeito iletrado arraiga profunda dificuldade de comunicação e concatenação de pensamento. Então, como melhorar o acervo linguístico? A leitura, de modo criterioso, parcimonioso e sistemático, é uma boa prescrição: analisem-se as peças e fragmentos textuais numa articulação indissociável do todo literal, levando-se em conta evidentemente o contexto; até porque um vocábulo disperso não detém qualquer valia. No ato de ler, não apenas se examinem a estruturação, classificação, formação e flexão dos termos senão a forma precisa de empregá-los em sua acepção mais apropriada à essência frasal. Como material analítico, qualquer veículo de comunicação serve: livro, jornal, periódico, revista, internet, expediente didático impresso mesmo que especializado. Recorra, todavia, a textos bem elaborados e com linguagem diversificada, desde a infantil, coloquial, regional, conotativa literária à expressão culta, eloquente. Pela tevê, ferramenta valorosa para tal fim, aprecie a audição dos fonemas, homógrafos e parônimos em suas nuanças, seus matizes; atente para o jogo de palavras. Observe a linguagem gestual enquanto facilitador da emissão da sentença. Leve em conta, no entanto, que o código falado é distinto do impresso: são faces dissemelhantes da Língua Portuguesa. E escreva bastante (muito mesmo!) e periodicamente, apelando para os sinônimos contidos num dicionário à mão. E, sempre que possível, exercite a fala (enquanto habilidade particularizada) em ocasiões propícias, obviamente, de modo escorreito. E nunca descuide do estudo da Gramática e Estilística, quando necessário for. Como vimos, as palavras são revestimento das ideias. E um vocabulário perspicaz, oportuno e maduro propicia uma comunicação eficaz, com leveza de pensamento ? e crescimento pessoal ?, uma vez que a língua é fonte de exclusão social, lamentavelmente! O que você, então, está esperando? Avante, leitor!