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Opinião

O VELHO CASAR�O

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Fui aluno do Colégio Guido de Fontgalland, no final da década de 80 do século passado. Transcorridos quase trinta anos da conclusão do que hoje é chamado de ensino médio, permanecem ainda em minha lembrança os momentos que eu vivenciei no ambiente do velho casarão da Rua ngelo Neto, no Farol, e que foram decisivos para a construção da minha personalidade em formação. O fundador da escola, Cônego Teófanes de Barros ? verdadeiro apóstolo da educação nas Alagoas ?, já alquebrado pela idade e pela doença, ainda passava os dias no prédio que construíra com tanto sacrifício, visitando as salas, conversando com alunos e professores, levando ex-alunos para darem testemunho das suas vitórias pessoais. Já não exercia, na prática, nenhuma função diretiva, mas a sua presença simbolizava a continuidade do sonho que ele acalentou por toda uma vida: o de elevar, pelos estudos, a juventude alagoana, principalmente a mais pobre. Por isso a sua preocupação não se resumia à grade curricular formal, mas se estendia em oferecer para os alunos teatro e poesia, música e artes plásticas, propiciando-lhes alargar a sua visão de mundo e sonhar com grandes conquistas. As aulas de química, com Zé Mário; de biologia, com Erivaldo; de matemática, com Marcelo; de física, com Strauss; de literatura, com Marcílio; de português, com Cida; de redação, com Sandra. A disciplina rigorosa de Edson Mata, tentando pôr ordem na bagunça que nós fazíamos. A disponibilidade do Irmão, cujo verdadeiro nome nunca soubemos, com a sua indefectível bicicleta enfeitada. A cantina do Lula e da Tia. O pátio do recreio, onde hasteávamos as bandeiras, entoávamos os hinos cívicos e realizávamos as concorridas feiras de ciência. A biblioteca do padre, no primeiro andar, verdadeiro relicário de obras raras de autores alagoanos, como a coleção completa da revista Mocidade, à época já fora de circulação. Os colegas com apelidos engraçados: Zé Galinha, Boca-de-fumo, Azul, Jinocaco, Rhesus, Cabritinha, o Coisa, a Boa. Tudo isso e muito mais que a memória insiste em sonegar compunham o cenário cotidiano das tardes de aula no Guido, num ambiente alegre e festivo, verdadeiramente fraterno, onde todos nos sentíamos em casa. Lá não havia distinção de classe social nem de cor, o filho do pescador de Ipioca convivia de igual para igual com a caçula do Secretário de Estado. Era um espaço leve e agradável, que traduzia fielmente o espírito elevado do seu criador. Deixou saudades, pois fez muito bem para a juventude alagoana.

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