Opinião
Selva virtual
A Defensoria Pública de São Paulo lançou ontem uma cartilha que orienta as mulheres a se defenderem da violência sexual virtual, como a exposição na internet de fotos e vídeos íntimos feitos por ex-parceiros, prática conhecida como revenge porn. A cartilha trata do sexting, caracterizado pelo envio de imagens sexuais para a mulher sem autorização dela, e do cyberstalking, a perseguição persistente por meios virtuais. Que a violência física e sexual contra a mulher cresce cada vez mais no Brasil já é mais do que sabido. No entanto, ela não é a única alarmante; há também o assédio sexual na internet, que pode não causar dor física, mas causa o mesmo constrangimento, intimidação e, em alguns casos, causa até problemas psicológicos. De acordo com a ONU, a violência digital contra a mulher está presente em todas as instâncias do espaço cibernético, em todos os idiomas. Ela se manifesta de várias maneiras: na forma de assédio moral e sexual, ofensas, ameaças, bullying sistemático, chantagem e revenge porn, linchamento virtual e o chamado doxxing, quando um grupo de usuários se reúne para encontrar e divulgar dados pessoas da vítima. Uma pesquisa da empresa de segurança Norton identificou que mulheres recebem, em média o dobro de ameaças de violência física on-line do que os homens. No ambiente virtual, a violência sexual se manifesta principalmente na forma do abuso on-line e da pornografia. O mundo virtual criado pelas novas tecnologias de informação e comunicação trouxe, sem dúvida, novas oportunidades educacionais e sociais, mas também deu origem a um novo espaço púbico, que permite o contato direto e sem supervisão entre os usuários. Nesse ambiente marcado pelo anonimato, muitas pessoas dão azo a seus instintos mais primitivos. Essa agressividade se manifesta sob formas que vão de comentários maldosos e preconceituosos até situações que violam a privacidade e a intimidade de outra pessoa. Enquanto os governos colocam a inclusão digital de seus cidadãos entre suas prioridades, a preparação de crianças, adolescentes e adultos para usar com segurança esse novo espaço público é deixada para trás. Por isso, é necessário que todos estejam conscientes dos riscos a que estão expostos no ambiente virtual. Por outro lado, toda forma de abuso deve ser punida rápida e exemplarmente.