Opinião
Drag�o especial
Ignorando as promessas e esperanças de mudanças, continuam em vigor as linhas mestras e injustiças do modelo econômico e social implantado por FHC há mais de oito anos. A moeda continua ?estável? e o País segue pagando tudo o que os credores dizem ter direito, negando-se o próprio direito (e o dever) de realizar auditorias sobre a evolução e montante dessas dívidas astronômicas. Com a inflação sempre apresentada como bichinho domado, os aumentos reais de juros conseguem a mágica de desaparecer nos cálculos inflacionários. Aumentos como os dos combustíveis são uma das poucas referências populares da realidade dos problemas econômicos. Outro elemento palpável da máquina inflacionária brasileira montada por FHC está explícita na taxa de juros cobrada sobre o cheques especiais. Cheque especial é instrumento de uso corrente para a maioria dos brasileiros que vivem de salário. Incorporou-se ao dia-a-dia dos mais díspares segmentos sociais, com seu uso grassando desde as elites até aos assalariados de parcos recursos. A famosa classe média, então, essa apegou-se a esse instrumento com sofreguidão. O talonário ?especial? transformou-se numa extensão do salário. O hábito do cheque especial está cada dia mais caro e os últimos números pesquisados e divulgados são assustadores. Segundo pesquisa do Banco Central, no passado mês de janeiro, a taxa de juros anual cobrada pelo cheque especial alcançou a impressionante marca de 171,5%. É a maior taxa praticada desde maio de 1999. De dezembro de 2002 a janeiro de 2003, o aumento foi de 7,6%. As operações de crédito pessoal para pessoas físicas também tiveram uma elevação da taxa de juros, de 91,8% ao ano para 95,3% ao ano. Em economês castiço, o Banco Central elevou suas explicações para além da compreensão do público leigo. E as coisas continuam como dantes, no quartel de abrantes. O povo pode não entender as complexas justificativas, mas sente a dor do endividamento insuperável e da dependência especial ao talão de cheques. Mas segue ainda tendo esperanças...