Opinião
O CAMPO DO DR. VIN�CIUS
Antes do Trapichão ser inaugurado, existiam duas maneiras de se assistir futebol em Maceió: ir ao campo do CRB, na Pajuçara, ou ao Mutange, em Bebedouro. Para os que não podiam comprar os baratíssimos ingressos existia a Verdinha, causticante barranco de onde se via a metade do campo do Mutange. A Verdinha exigia do torcedor além do requisito básico de ter uma visão de águia de cinema, farta imaginação para imaginar o que se passava no canto encoberto do gramado. Lá se vendiam raspadinha e cachorro-quente, que para atender àquela freguesia, era ofertado fatiado em seis, sete pedaços. O torcedor que consumia três fatias era um Marajá. Quando o CSA estava ganhando folgado, principalmente se o jogo fosse com o Ferroviário ou algum outro saco de pancadas, nos últimos minutos do segundo tempo, abriam-se os portões e a multidão descia a ladeira embalada, para ver de perto, fugazmente, o Clóvis, o Pinga e o Deda. Braga Lyra garante que essa atitude generosa da diretoria foi a única razão do azulino ter tido durante muito tempo a maior torcida das Alagoas. Depois, veio o eminente Doutor Vinicius Maya Nobre e construiu o Trapichão, que desde então supre adequadamente ao nosso futebol e se mostrou adequado às necessidades de nosso esporte bretão, tanto é assim que o CRB está muito bem na Série B no brasileirão e os times de Natal, ? onde se construiu um imenso elefante branco para a Copa do Mundo ? estão na Série C. Sempre apreciei futebol e outros esportes, tive cadeira cativa no campo do Dr. Vinícius. Depois, passei a ver tudo o que podia na televisão: a Copa do Mundo e as Olimpíadas sempre foram motivo para comemoração conjunta com a família e amigos. Mas jamais convencer-me-ei que um País que tem tantas e tamanhas carências em áreas tão prioritárias como saúde, onde os esgotos correm a céu aberto, educação, segurança pública e moradia, pudesse gastar fortunas para promover esses eventos. Em Los Angeles, sua rica população, quando consultada, recusou que dinheiro público fosse usado para financiar as Olimpíadas. No Brasil, de todas as carências, evidencia-se que não podemos deixar a política para os políticos, porque lhes falta aquele mínimo de responsabilidade com o dinheiro público. Até agora o legado mais impactante dessas Olimpíadas é uma ameaça de terrorismo, um mal que ainda não nos assombrava. O que somado à poluição da Baia da Guanabara e as diatribes de Lula na ONU, passam ao País uma deplorável imagem internacional.