Opinião
OURO DE TOLO
A pedra pirita ou dissulfeto de ferro, por possuir brilho metálico e cor amarelo-dourado, facilmente se confunde com ouro pelos mais afoitos, precipitados. Donde a expressão ?tolo-dourado? ? metáfora que alcunhará nessas linhas a figura caricaturesca de ilustre agente público iludido pelo prestígio que o cargo obséquia. Esses ilusionados, os ?tolos-dourados?, são personagens enigmáticos. Embevecidos pelas atribuições prescritas em diploma legal, revestem-se desmesuradamente do poder estatal, originário do povo, diga-se, do cidadão. De modo que, quando contrariados, cometem arbitrariedades, reflexo de gigantesco e perturbado ego. Escudeiros servidores da burocracia, adotam feições indenunciáveis, máscaras que ocultam perversão de caráter. Tais fulanos exalam dotes angelicais, e insistem em deixar transparecê-los. Por dentro, elaboram para si paradigma de mundo elucubrado brotado de universo mental insano, em seguimento à odiosa sina obsediante. Quando apartados de suas funções, sem poder de mando, os idiotas graduados em questão não têm verbo, cultura, tampouco habilidades... são sujeitos miúdos! Falta-lhes o condão de oprimir os administrados. Então enfraquecidos, foram vistos alguns deles perambulando pelas vias públicas, desnorteados, sem garras. Abuso de poder, enfim, espécie de abuso de autoridade, assim categorizado em lei, é passível de sanções nas esferas administrativa e penal. Todavia a impunidade (sim, impunidade!) vem empoderando esses coitados delinquentes, uma vez que esse flagelo de dominação produz na vítima tão somente manifestações psicológicas, morais e espirituais: não registráveis, pois, objetivamente nos exames periciais dos lesados e, em vista disso, sem valor probatório. E nenhum terceiro ousaria testemunhar, sob pena de exposição a açoite. Além do quê, tamanha ilegalidade costuma acontecer entre quatro paredes, palco privilegiado desses algozes. Como tantos, este escritor já sorveu na carne (diga-se, no âmago) as agruras provocadas por essa enfermidade incurável ? o espezinhamento!! Foram três sopapos, em épocas diversas, perpetrados por ?tolos-dourados? distintos. Ao ensejo desses agravos, palpitou-lhe o coração em agonizante descompasso, reclamou-lhe o estômago sacrificado por inundada descarga de suco ácido, cambalearam-lhe os membros de sustento... A honra, no entanto, foi o que mais se golpeou: sarrafadas que se deram em minúsculos instantes que pareceram uma eternidade! E a tudo este redator padeceu imobilizado, extasiado, em razão de os ?tolos dourados? terem-no ameaçado de encarceramento, sob infundado pretexto de infringência legal: ?Desacato à autoridade!?, argumentaram ? é assim que eles procedem, a rigor! ? quanta insolência, não?! Por fim, a despeito dessa nebulosidade, o cenário faz-se alvissareiro em função do crédito que se pode firmar no desempenho dos novos concursados que assumiram diversos cargos graduados na esfera pública neste Estado, a maioria jovens talentosos que parecem comprometidos com a dignidade humana. Uma mudança de cultura? Tomara!