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SA�DE SEM TRATAMENTO

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Em apenas 44 anos de vida, Oswaldo Cruz promoveu uma revolução na saúde do Brasil, apesar da reação de parte da sociedade em ser contrária ao que não entendia (o povo, por exemplo, recusava ser vacinado). O médico nasceu em 5 de agosto de 1872. Em sua homenagem, comemora-se, amanhã, o Dia Nacional da Saúde. Pouca gente sabe que a data alude sua trajetória em defesa da educação sanitária, que resultou em conquistas como a erradicação da peste bubônica e da malária. O legado de Cruz, contudo, parece não ter sido incorporado ao século XXI. Apesar de todo conhecimento que temos de que higiene é fundamental para a vida e que as doenças de veiculação hídrica continuam matando, menos da metade da população brasileira é atendida pela coleta de esgoto e apenas 39% têm o esgoto tratado. Segundo o Instituto Trata Brasil, vai demorar mais de 100 anos para universalizarmos a coleta e o tratamento de esgoto se mantivermos o ritmo atual de investimento em saneamento básico. O que será que Oswaldo Cruz pensaria disso? Em maio deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria um regime de incentivos fiscais para que as empresas de água, esgoto e limpeza invistam mais no setor. Mas isso só não basta. É necessária uma política de governo. E aí entra uma mobilização maior que envolva deputados, senadores e representantes da sociedade. Isso pode ser um dos pilares da Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional que está sendo criada no Congresso Nacional. Como engenheiro civil, atendi convocação da categoria para encetar essa luta no Parlamento. Estamos avançando, mas vamos precisar da ajuda daqueles que vejam a engenharia não apenas como um parque de obras monumentais, mas também como um arcabouço de medidas que impactem gerações e que promovam o bem-estar com reflexos diretos na saúde pública. É preciso desmistificar essa ideia de que os administradores não investem em saneamento porque não gera votos. Não podemos tolerar que pessoas ainda morram por diarreia no Brasil, como ocorreu há alguns anos quando mais de 50 pessoas morreram em Alagoas, num espaço de poucos dias, após beber água contaminada distribuída por caminhões pipa. Lembremos de Oswaldo Cruz não só amanhã, mas todos dias; quando desperdiçamos água tratada, jogamos lixo nas ruas, ou ignoramos aqueles que vivem à margem sem banheiro em casa, ou muitas vezes sem casa. No Dia Nacional da Saúde vamos fazer a nossa parte pedindo saneamento e melhores condições de vida para todos.

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