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Entre a euforia e o desalento

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Os olhos do mundo estarão voltados hoje à noite para a abertura oficial dos Jogos Olímpicos Rio 2016, maior festa esportiva do planeta. Os números relacionados às Olimpíadas impressionam. Ao todo, 10.900 atletas de 204 países estão no Brasil na disputa de 306 medalhas em 42 modalidades. O custo estimado da competição ultrapassa os R$ 37 bilhões. Calcula-se que 350 mil turistas estrangeiros desembarquem no Rio de Janeiro por causa dos jogos. O fato de ser o primeiro país sul-americano a sediar uma olimpíada deveria ser motivo de orgulho e alegria para os brasileiros. E, de fato, esses foram os sentimentos predominantes em 2009, quando houve a candidatura do Brasil. Na época, o País liderava o bloco das nações emergentes e registrava taxas substanciais de crescimento. Ao mesmo tempo, comemorava a redução das desigualdades sociais e ascensão de milhões de famílias à classe média. Parecia que, finalmente, o futuro chegara. Sete anos depois, entretanto, tudo é desalento. Em meio a profunda crise política e econômica, detonadas por denúncias de um esquema colossal de corrupção, o entusiamos pelas olimpíadas esfriou, e a maioria dos brasileiros acredita que os Jogos trarão mais prejuízos do que benefícios. Há também a sensação de que o País poderá passar vergonha por causa das obras inacabadas, da violência urbana, dos problemas sociais, da epidemia de dengue, zika e chicungunha e outras mazelas. Some-se a isso o medo de ataques terroristas. Quando se fala em sediar uma Olimpíada, a maior discussão é quanto ao legado que o evento pode deixar para a cidade-sede. Nesses aspecto, costuma-se citar dois casos antagônicos: Barcelona e Atenas. No caso da cidade catalã, os Jogos tiveram um efeito muito positivo, pois revitalizaram o turismo na região. Já Atenas ficou conhecida pelo desperdício, já que parte da estrutura construída para a competição acabou abandonada com o passar dos anos. Em relação ao Rio de Janeiro, só o tempo dirá. Ufanismo e pessimismo à parte, é preciso encarar a realização de uma Olimpíada como oportunidade de mostrar ao mundo que somos, de fato, um país de grandes potencialidades, mas também devemos assumir nossos problemas também colossais, características de um país ainda em construção.

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