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Opinião

O TORTUOSO CAMINHO DA DEMOCRACIA

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Superstições à parte, quis o destino que o desfecho do Processo de Impeachment de Dilma Roussef entrasse em sua fase decisiva no mês de agosto, o mês dos muitos desgostos na vida nacional. Para restringirmos aos presidentes da República: o suicídio de Getúlio; a renúncia de Jânio e a morte de Juscelino Kubitschek. Cada um desses eventos, de alguma forma, configuraram uma tragédia própria. O mais assemelhado nos acontecimentos precedentes ao ato final da tragédia, parece-me o de Getúlio, afora o atentado da Toneleros e as insurgências militares,agora inexistentes, continua em maré alta o tal ?Mar de Lama? dos idos getulistas, poucas vezes nos dando a trégua da maré baixa,e cujas águas jamais se abrem para que possamos atravessá-lo, mesmo porque o Moro, embora virtuoso, jamais disporá dos poderes do cajado de Moisés. A superstição dominou durante muito tempo a mente humana, muitos foram os que devido a ela torraram na fogueira da Inquisição, assim como muitos foram os clérigos sacrificados pela guilhotina da Revolução Francesa. Burke afirmou que ela era a ?Religião das mentes fracas?. Àquelas que na Idade Média amavam a tortura, condenando o opositor ao Caixão de Ferro, uma pequena gaiola em logradouro público, onde imobilizado ficava até que a morte finalmente o levasse. Umberto Eco, que escreveu magistrais obras como a terna ?O Nome da Rosa? e defendeu de público o ?direito dos imbecis se manifestarem na Internet?, abismava-se pela capacidade humana de criar tantas formas de tortura, principalmente pela demorada crueldade de algumas delas, impressionavam-no a Touro Siciliano; a Águia de Sangue e, especialmente o Berço de Judas. Eco, se vivo fosse provavelmente incluiria o Processo de Impeachment Dilma Roussef entre aquelas mais cruéis. Muito menos pelo que Dilma tenha passado, e muito mais pelos milhões de brasileiros, vítimas da crise por ela proporcionada, e que pacientemente a aguardam gozando boa saúde e cuidando da família lá nos confortos distantes do Chuí, onde definitivamente aposentada, poderá contemplar a sua obra e a de seu criador, possivelmente sem remorsos outros. Espera-se que as chicanas políticas não procrastinem ainda mais essa demorada tortura medieval, mas se estes são os tortuosos caminhos da democracia... O País precisa desesperadamente ultrapassar essa período de incertezas e instabilidades, uma das alegadas razões, se não a principal, para que o presidente interino não efetue as medidas fiscais que o País tanto precisa.

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