Opinião
ORADOR VERSUS ESCRITOR
A palavra falada e a escrita compõem as manifestações dos pensamentos e dos sentimentos humanos. Os oradores e os escritores se comunicam com o mundo de acordo com a sua vocação e a maneira de perceber os fatos e os valores que envolvem a existência das pessoas. Desde os primórdios se discute no confronto a prevalência da sua importância. Platão, na Antiguidade, procurou proclamar a superioridade da palavra falada, ao afirmar ?Ela está para a palavra escrita como o homem para seu retrato?. A voz e o gesto são aliados do orador; podem aumentar o seu poder, quando bem articulados. Uma boa voz desperta e seduz. Os gestos corporificam a argumentação, dão maior expressão às palavras proferidas e acentuam os apelos do convencimento. O célebre escritor Leon Tolstoi, comparando os ofícios do tema, disse: ?A vantagem da linguagem verbal é que o ouvinte sente a alma de quem fala?. O orador denuncia o seu ânimo, a sinceridade e o valor de sua mensagem, o nível e a qualidade de suas emoções. Umberto Eco, no livro ?O Nome da Rosa? declara que há duas categorias de escritores: a primeira, escreve aquilo que espera que os leitores queiram ler, a segunda, cria seu leitor ideal à medida que escreve. A literatura assevera ? muitos autores escrevem para gerar reflexão outros para sugerir sonhos. Suas obras ganham a admiração do mundo, propagam seus nomes, suas ideias e o seu poder de criação. Eternizam personagens, cenários e segredos da alma humana. Os tribunos são os enamorados das palavras. Nasceram para proclamar os sentimentos, erguer as paixões humanas e marcar os instantes que celebram a vida; daí o vigor dos gestos e o valor estético de suas orações. Tratadistas dizem ? somente após a morte, os oradores seriam vencidos pelos escritores. Mas, o poder da beleza une as almas; elas retornam ao mundo para folhear os livros inesquecíveis e ouvir nas horas silenciosas dos auditórios as vozes de luminosas lembranças.