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Opinião

MISS�O MAIOR

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De quantas missões tenho cumprido ao longo da minha vida, nenhuma me é tão importante nem me traz tanta satisfação quanto a de ser pai. Desempenho-a há quase 18 anos, desde o nascimento do meu único filho, e cada vez mais me dou conta da riqueza que há nesse exercício diário de entrega e de dedicação, de renúncia e de desprendimento, de preocupações renovadas e de alegrias imensas. Ainda que sob o peso das minhas inúmeras limitações, o amor que nutro pelo Luís faz com que eu busque a cada dia ser, para ele, o pai que eu sempre quis para mim próprio, mitigando-lhe as dores, dando-lhe colo e ombro, cobrindo-o de beijos e de abraços mesmo quando ele, no auge da adolescência, me afasta já com um pouco de impaciência: ?Tá bom, pai?. O homem que recebe dos céus a graça da paternidade deveria, a cada momento, louvar a Deus por tamanha bênção. Nada se compara em prazer à circunstância de ver o sangue do nosso sangue crescendo sob os nossos olhos, formando o seu caráter, adquirindo as suas preferências, apurando os seus gostos. Observá-lo em silêncio e notar, com um indisfarçável orgulho, que há nele algo que lembra nós mesmos, seja no físico ou no comportamento, testemunhando a criação de uma versão melhorada do nosso próprio eu. Se nós pudéssemos, os livraríamos de todos os perigos, os pouparíamos de todas as dificuldades, evitaríamos que eles cometessem inúmeros erros ? pelo menos aqueles que nós mesmos já cometemos. E sofremos por saber que isso não é possível, e que eles inevitavelmente ainda chorarão muito, ainda serão injustiçados, ainda poderão ser traídos. Morremos por dentro, de véspera, e pedimos a Deus que finque na nossa carne os espinhos que seriam destinados à carne deles, mesmo sabendo que não seremos atendidos; eles precisarão crescer também pela dor, e só nos resta ficar ao seu lado, em toda hora, às vezes somente com o nosso silêncio e as nossas lágrimas sentidas. Ser pai, um pai de verdade, é viver para todo o sempre em estado de paixão permanente e absoluta. Um filho que sabe poder contar com a mão amiga do seu pai está preparado para enfrentar quaisquer desafios. Um filho que vê o amor transbordando dos olhos paternos, que sente a sua alma visceralmente unida à daquele que lhe deu o sopro vital, jamais conhecerá o significado da palavra desamparo, nunca se sentirá sozinho nesse mundo. Virão intempéries e vicissitudes, chegarão imprevistos e inesperados, mas a mão do eterno menino, embora enrugada, segurará na do seu velho pai e seguirá adiante, para o que der e vier.

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