Opinião
ESP�RITO OL�MPICO
Bilhões de pessoas ficaram maravilhadas com a abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Quando muitos esperavam um trabalho de fancaria, eis que os brasileiros, com poucos recursos, conseguem superar as adversidades e conceber um espetáculo criativo, de forte impacto visual e belo, notavelmente belo. O brilho da cerimônia ofuscou os problemas ambientais e de segurança que ameaçavam as Olimpíadas e, principalmente, distensionou o clima político. As vaias foram poucas e dirigidas ao presidente interino; não houve protestos nas ruas, e todos se deram conta de que era melhor aproveitar o momento e desfrutar do melhor do esporte mundial. Na Grécia antiga, durante os Jogos, era decretada a ?Paz Olímpica?. Os gregos a respeitavam rigidamente. Era necessária para garantir a integridade dos atletas e assegurar o êxito das competições. E, sim! Naquela época já havia estrelas. Os melhores atletas desfrutavam de regalias e recebiam as atenções do público. Nada muito distante de hoje, mas com uma diferença primordial: não havia dinheiro. Eram todos iguais perante todos. No Rio há discrepâncias que expõem as condições de vida de quem se dedica integralmente ao esporte. A maioria está na Vila Olímpica, mas alguns estão num transatlântico, como os jogadores de basquete dos Estados Unidos ? não por acaso, os americanos são recordistas em medalhas. O mais curioso, contudo, acontece com o futebol brasileiro. Enquanto os homens são endeusados, ostentam riqueza e empáfia, as mulheres não têm atenção da mídia nem bons salários. Paradoxalmente, as meninas vêm se saindo melhores que os garotos. Muitos afirmam que elas verdadeiramente incorporaram o espírito olímpico, enquanto os garotos, enfastiados, só pensam em voltar para o aconchego dos carrões e iates. Um jornalista tentou comprar uma camisa da seleção feminina que tivesse o nome da nossa rainha Marta. Não conseguiu. As empresas que fabricam material esportivo nunca pensaram em confeccionar camisas da seleção das mulheres. Inacreditável. Mas é fato. Talvez quando a Olimpíada acabar tenhamos vitrines com o produto. É apostar para ver. Sobre Marta, prestei uma homenagem nas redes sociais quando da data da emancipação política da sua terra natal: Dois Riachos. Nos enche de orgulho saber que mesmo tendo sido escolhida cinco vezes a melhor do mundo, não esqueceu suas raízes, não esqueceu Alagoas, não esqueceu sua cidade. Sua família continua ali, e é dali, no interior do Estado, que a vê brilhar sem perder sua essência. Esse é o espírito olímpico.