Opinião
DROPS DE LARANJA
Vinte e dois anos sem meu pai. Hoje, dia dos pais, o meu não está mais comigo fisicamente, no entanto todos os nossos bons momentos, muitos ingênuos, permanecem no meu coração. Não esquecerei jamais das nossas idas ao Cine São Luiz durante as férias, cinema da época de adolescente, quando ele me esperava no ponto de ônibus com um drops de laranja na mão que eu tanto gostava, para irmos à matinê, adorávamos filmes de cowboys. Hoje não vejo mais filmes da cowboys nem encontro drops de laranjas. São lembranças que vêm como um turbilhão, como uma onda a sufocar-me, enchendo-me de lágrimas. Era um pai amoroso, chamava sua três filhas de ?Zamores?, ?Zamorinhos? e ?Zamorzão?. Seu filho varão só viria depois, eu quase já universitária. Quando ia a algum evento, festa em que não estávamos presentes ou quando comia alguma coisa gostosa na rua, sempre trazia uma parte para nós. Tantas e tantas demonstrações de carinho fomos merecedoras, era um homem com falhas e defeitos como pode ser qualquer ser humano, mas como pai era completamente perfeito. Poderia encher laudas e laudas de papel contando seus feitos e encantos para conosco, como a emoção de quando passei no vestibular e me deu a notícia com os olhos marejados de lágrimas e disse: ?Filha, meu orgulho, você passou!? Sinto falta de sua presença e também dos drops de laranja. Se você, leitor, souber onde há drops de laranja, por favor, avise-me!