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QUINZE MINUTOS

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Um minuto eterniza-se quando centroavante repassa bola a artilheiro que dribla zagueiro e a dispara contra rede, por brecha deixada por goleiro, conferindo gol. Fração de segundo basta para condutor descuidado causar acidente em via pública. E ?quinze minutos? são suficientes para um médico consultar um paciente que o visita pela primeira vez? O diálogo indissociável entre o médico e seu paciente visa a estabelecer canal de comunicação mediante o qual aquele formula inventário da enfermidade deste. Nesse sentido, no ato dessa interlocução, indagações são geradas. E, desse modo, investigam-se elementos relacionados à queixa reclamada pelo consulente a fim de planejar a conduta a ser tomada com intuito de restabelecer o equilíbrio orgânico do doente. Para concepção desse Inquérito, se minucioso, são requeridos bem mais que minguados e fugazes ?quinze minutos?. Isso sem contar o tempo que o enfermo leva para ser examinado. Daí, logo se deduz a morosidade inerente à consulta médica bem-feita. Todo o mundo sabe, por ouvir dizer, que os planos de saúde pagam muito pouco a seus médicos conveniados. Mas, quanto? A verdade: os melhores convênios (atente-se, os melhores!) pagam por consulta médica setenta reais. Montante pífio! Mais ainda quando descontadas as devidas tributações e gastos para manutenção de consultório: assim, o prestador auferirá, no final, pouco mais de vinte reais! O Sistema Único de Saúde (SUS), por sua vez, destina dez reais (valor-bruto!) para tal procedimento, gerando (seguida a contabilidade acima esmiuçada) um resultado líquido de três reais (isso mesmo, três reais ? o preço de um picolé!): quanta miudeza, não?! ?Quinze minutos? ? será esse, então, o resultado de tamanho descalabro econômico? Os ?quinze minutos?, lugar-comum, são tão notáveis a ponto de robusta operadora privada instituir ?vinte minutos? como intervalo mínimo entre duas autorizações eletrônicas a distância para realização de consultas para seus conveniados. Como agravante, firma-se desmesuradamente a chamada consulta-popular cuja profusão revela, não comiseração altruísta emanada de profissionais piedosos ao lidar com cidadãos carentes, senão exíguo mercado de trabalho médico. Nessa modalidade de atenção, os ?quinze minutos? são inatingíveis, na medida em que os usuários, sempre pobres, não reclamam dos atendimentos-relâmpagos ? motivo pelo qual acontecem sem-número de erros-médicos perpetrados por sujeitos impassíveis. Esse fenômeno (dos ?quinze minutos!?) é nacional, e médicos probos, conscientes de seu mister, não comungam com indecoroso vício profissional; aliás, repudiam-no. Os famigerados ?quinze minutos? podem até ser adequados durante o retorno do paciente, exames à mão, ao seu cuidador, quando este já detivera o histórico bem elaborado do agravo daquele, armazenado em computador ou traçado num manuscrito. Jamais por ocasião do primeiro contato entre tais protagonistas!!

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