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Engenharia alagoana (VI)

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VINÍCIUS MAIA NOBRE * Procedia-se mudança de Alagoas. Muniz Falcão fora eleito, mas não obtivera a maioria. Criado o impasse pela negativa da Assembléia Legislativa em referendar o nome daquele líder político, foi designado o General Tubino como Interventor do Estado por ato do Marechal Castelo Branco. Era fevereiro de 1966. Vivia inquieto face à ameaça que vinha sofrendo por parte de alguns empreiteiros contrariados. Foi quando conheci Fernando Oiticica, engenheiro civil, nomeado Secretário de Viação e Obras Públicas acumulando com a direção da Comissão de Estradas de Rodagem (CER). Ao saber do que se passava, deu-me total apoio e tranqüilidade. Logo nos identificamos e passamos a realizar, num curto período, grandes mudanças para o rodoviarismo em Alagoas. A CER transformou-se em Departamento, com Conselhos Administrativo e Fiscal, alterações estruturais fundamentais para melhor transparência das atividades do órgão e, sonho de todos nós, funcionários de então. Sob sua orientação, colocou-se em prática à adesão para recebimento de máquinas rodoviárias, plano proposto por nós à Sudene. Recebemos centenas de diversos equipamentos, que possibilitaram a implantação da AI-220, trecho Arapicaca-Jaramataia-Batalha, na ocasião, simples caminho. Também em sua época foi iniciada a terraplenagem e pavimentação da rodovia estadual Junqueiro-Penedo. Deu prosseguimento, quando continuou como Secretário no Governo Lamenha Filho, da construção e pavimentação da rodovia AL-101/Norte, trecho São Luiz do Quitunde-Porto Calvo. Fernando Oiticica nasceu em 20 de novembro de 1909 e faleceu em 10 de dezembro do ano passado, aos 93 anos de uma vida plenamente realizada. Foi casado com Maria Isalina Nissler Leão e, com ela, teve cindo filhos. Com seus irmãos, fundou e construiu a Usina Santa Clotilde. Quando fazíamos viagens de inspeção, em conversa agradável, relatava-me seus tempos de estudante de engenharia no Rio de Janeiro, onde se formou em 1933 e de sua passagem quando serviu ao Exército Brasileiro. Era de se admirar como falava com carinho de sua terra natal, Rio Largo e, principalmente, do seu ?Riachão?! Foi prefeito de seu município e lá realizou inúmeras obras de repercussão social, inclusive a construção da estação de passageiros do antigo aeroporto dos Palmares, com a colaboração da 2ª Zona Aérea do Ministério da Aeronáutica. Executou como profissional liberal muitas obras que lhe valeram enorme conceito de empresário sério e competente. Face seus conhecimentos em legislação específica, normas e orçamentos relativos à construção civil, logo foi convidado a fiscalizar importantes obras na comunidade alagoana, a exemplo da sede do Banco do Brasil, em Jaraguá. Atuou também como engenheiro fiscal nas obras de construção da escola Técnica Federal de Alagoas, atual Cefet e dos armazéns do extinto IAA. Foi um dos fundadores da Escola de Engenharia de Alagoas, tendo sido nomeado catedrático em 1955, da cadeira ?Termodinâmica ? Motores Tér-micos e de Ar Comprimido?. Realizou reelevante trabalho de aglutinação dos engenheiros existentes no Estado, objeti-vando a criação do Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, o nosso conhecido CREA-A l, o que lhe valeu umas homenagem especial daquele órgão através da Medalha Honra ao Mérito. Em 1979, foi condecorado pela Marinha Brasileira por ocasião do 1º Centenário da Flotilha Amazonas. Naquele mesmo ano, recebeu diploma de agradecimentos pelos serviços prestados ao Ministério da Previdência e Assistência Social. Por tudo que realizou tanto no campo profissional, com o empresarial e no serviço público, Fernando Oiticica deixou um enorme legado, digno de figurar, como tantos outros engenheiros ilustres, na galeria da engenharia alagoana. (*) É ENGENHEIRO

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