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O caminho para o p�dio

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Estudo feito pelo Ministério dos Esportes revela que as práticas esportivas no Brasil são sustentadas prioritariamente pelas famílias dos praticantes, ou seja, predomina o ?paitrocínio?. De acordo com o levantamento, o consumo das famílias brasileiras com práticas e equipamentos relacionados ao esporte chegou a R$ 43,5 bilhões em 2013. A iniciativa privada financiou cerca de R$ 6 bilhões neste período e as empresas públicas, quase R$ 450 milhões. Já o governo federal investiu cerca de R$ 1,4 bilhão, crescimento insuflado pelos grandes eventos sediados no País. Os dados são importantes quando se tenta analisar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas. Não há como negar que houve avanços nas últimas décadas, e o País já conta com atletas de alto rendimento em diversas modalidades, mas é necessário e possível avançar mais. O investimento das empresas no esporte, por exemplo, ainda é incipiente e, para universalizar as práticas, não bastam apenas recursos do governo. Um fato que chama a atenção nestes Jogos Olímpicos é grande número de atletas militares. Isso não é por acaso. Em 2008, uma parceria do Ministério dos Esportes com o Ministério da Defesa resultou na criação do projeto Programa Atletas de Alto Rendimento. Atualmente, 670 militares fazem parte do programa, sendo 76 militares de carreira e outros 594 temporários. Deles, 145 disputam a Olimpíada no Rio. Atletas de alto nível como os ginastas Arthur Zanetti e Arthur Nory, os judocas Rafael Baby Silva, Sarah Menezes e Rafaela Silva, a dupla de jogadoras de vôlei praia Talita e Larissa, o atirador Felipe Wu, o saltador Thiago Braz, a esgrimista Amanda Simeão e a maratonista aquática Poliana Okimoto passaram por um edital público e se tornaram militares temporários. Com isso, garantiram salário e bolsa, seguro médico e direito de usar as instalações da Forças Armadas. A iniciativa tem se mostrado acertada, entretanto expõe a deficiência que o Brasil tem para manter, desenvolver e sustentar seus atletas. Na falta de condições para fortalecer as estruturas que formam os esportistas, os militares acabam preenchendo essa lacuna. Se o Brasil quiser, de fato, se transformar numa potência olímpica, precisa ter uma política de médio e longo prazos que agregue o poder público e a iniciativa privada para o incentivo ao esporte desde a infância. Esse é o caminho.

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