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Dados divulgados pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostram que, após a entrada em vigor da Lei de Cotas para os vestibulares das universidades e institutos federais, o perfil socioeconômico e cultural dos estudantes se diversificou. Entre as estatísticas do estudo estão números que mostram um aumento no número de estudantes negros (pretos e pardos), de famílias de baixa renda e um leve aumento na idade média dos graduandos. Em 2003, só 28,3% dos estudantes das instituições federais se declaravam pardos, apesar de esse grupo representar mais de 40% da população brasileira. Em 2014, os universitários pardos já eram 37,75% do total. Nesse mesmo período, o número de estudantes de graduação praticamente dobrou, de 469.848 para 939.604. Já considerando a população negra (preta e parda), esse crescimento foi ainda maior, de 160.527 para 446.928, aumento de 178%. A concentração de estudantes das classes mais ricas do Brasil também caiu nas instituições federais de ensino superior, de acordo com o estudo. Em 2010, 34,71% deles tinham renda familiar bruta maior que seis salários mínimos, 24,61% tinham renda de mais de três e menos de seis salários mínimos, e 40,66% tinham renda de até três salários mínimos. Em 2014, a porcentagem de cada uma dessas faixas salariais no total de estudantes de graduação foi de 23,86% para os mais ricos, 24,72% para os da faixa intermediária, e 51,43% para os estudantes mais pobres. De acordo com estimativas feitas pela Andifes, em 2014, mais de dois terços dos graduandos tinham renda per capita de até um salário mínimo e meio, ou seja, são alvo das políticas de assistência estudantil das universidades e institutos. É fato que, nos últimos anos, houve uma grande expansão do ensino superior no Brasil. Entre 2007 e 2011, as federais aumentaram em 63,7% o número de vagas oferecidas. No mesmo período, o crescimento no número de professores foi de 25,2%, chegando a 70.710 docentes. O dado negativo é que essa expansão foi feita sem a necessária garantia de qualidade e ainda há muitas deficiências a superar. De qualquer forma, a pesquisa da Andifes mostra que as universidades federais caminham na direção de espelhar a composição social do País.

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