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Opinião

AINDA ASSIM EU TE AMO E TE ADMIRO

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Na semana passada, tive a satisfação de acompanhar uma renomada oceanóloga e amigas em visita a Maceió. Vieram com a programação antecipadamente definida, incluindo os pontos principais que desejariam conhecer ? praias e museus ? dando prioridade a esses últimos. Preparei-me para suportar os entraves, não apresentei empecilhos mesmo quando ouvi essa frase: ?Queremos também conhecer o Mercado da Produção!? Felizmente, o dia estava convidativo, o sol irradiava um brilho intenso, características da nossa gleba. Pretendiam fazer caminhadas, mas imaginando que as ruas e calçadas não estivessem devidamente limpas, convenci-as a utilizar um veículo. Iniciamos pelo Memorial Teotônio Vilela. Teríamos de descer a rampa, verificando se estaria aberto ao público ou não. Lá em baixo, sentado, um senhor nos acolheu como se tivéssemos vindo despertar aquele espaço monótono, sem atrativos, sem vida! O Menestrel das Alagoas merecia local mais aconchegante, uma exposição mais expansiva, para reacender saudades fazendo jus aos seus méritos! Fomos recebidas pelo senhor André Luiz, funcionário de uma firma terceirizada, atuando, ali, há cerca de um mês. Ao iniciar o seu trabalho, encontrara lixo de toda espécie, ratos e outros moradores perniciosos. Higienizara o ambiente solicitando auxílio dos cortadores de gramas, para devastarem o mato existente nas cercanias. Parabenizamos aquele funcionário modelo, que desempenha o seu trabalho com amor e decência, digno dos nossos aplausos e admiração. Na nossa trajetória por Jaraguá, avistamos prédios antigos e artísticos, hoje depredados, em sua maioria. Seguimos para o Museu da Imagem e do Som e nos empolgamos com a organização e competência dos funcionários daquela instituição em que a ordem se condensa em todos os ambientes. O Museu Téo Brandão estava fechado. Seguimos em direção ao Mercado da Produção. Aguardava-nos um ambiente desolador, decadente, imundo. Ao avistarem o depósito de metralhas, lamaçal, lixo, alimentos deteriorados, exalando odores fétidos a céu aberto. As visitantes se apavoraram e solicitaram o nosso imediato regresso, dizendo que em lugar algum do mundo avistaram tantos entulhos misturados com alimentos em decomposição. Confessei-lhes envergonhada meus sentimentos, apresentando-lhes a fartura da nossa flora, das águas, da generosidade dos alagoanos. Calei-me diante das censuras lógicas e necessárias de cada membro da equipe, bem como as possibilidades de remediação que é do conhecimento de todos. Seja como for, Maceió, haverei de amar-te sempre, aguardando que, movidos pelo compromisso, os administradores públicos transformem a tua imagem como referência para o Brasil e o mundo!

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