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Opinião

Gargalo tecnol�gico

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Apesar de contar com instituições e instrumentos para apoiar o processo de inovação tecnológica, o Brasil sofre com gargalos como a descontinuidade e o contingenciamento dos recursos. A alocação em pesquisas que não trazem inovação para o mercado, se concentrando demais na academia e não no setor industrial, também é uma realidade. Para especialistas, o reduzido volume do dinheiro para a pesquisa, que hoje gira em torno de R$ 4 bilhões, é destinado em sua maioria (68%) a projetos pequenos, muitos ligados à academia. Projetos com abrangência nacional, estruturantes e ligados à política industrial são cerca de 7% e, somados a outros que têm uma conexão direta com o setor empresarial, chegam a 21% do total. A tendência em investir em projetos menos robustos diminuiria as chances de produzir conhecimento novo e de dar saltos tecnológicos. Grande parte do baixo retorno econômico, científico e social do investimento público em CT&I pode ser explicado por essa realidade. Para 2017, há previsão de contingenciamento de 55% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A arrecadação deverá chegar a R$ 5,2 bilhões, mas R$ 2,9 bilhões não deverão ser efetivamente gastos. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem destinado dinheiro dos fundos para a manutenção da Pasta, em um desvio de finalidade. Uma das propostas de especialistas é a separação entre a área de Ciências, que ficaria vinculada ao Ministério da Educação, e a da Tecnologia, ligada à área da produção, como já ocorrem em países como Alemanha e Japão. Às universidade caberia o papel de fazer ciência, enquanto a tecnologia ficaria a cargo do setor produtivo. Um avanço nesse sentido foi obtido a partir da chamada Lei do Bem, de 2005, que permitiu às grandes empresas investir em pesquisa e depois obter retornos tributários. Depois dessa lei, triplicou o número de patentes brasileiras. O desafio do País é manter, ao longo dos próximos anos, o ritmo crescente de investimentos em ciência e tecnologia, o que não será nada fácil, visto que o governo vem promovendo um duro ajuste fiscal. Por isso, é preciso que governo e setor privado trabalhem em conjunto para destinar melhor tais recursos e coloquem o Brasil num novo patamar nessa área.

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