Opinião
MAR DE CONHECIMENTO
Nos últimos anos foram tantas (e tão ácidas) as críticas dirigidas ao governo federal que significativos avanços sociais foram jogados para debaixo do tapete, omitidos pela mídia e ignorados por parte população. Alguns de extrema relevância como o que aponta um aumento no total de estudantes das classes D e E em universidades federais brasileiras entre 2010 e 2014. Segundo dados da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) dois terços dos alunos (66,19%) vêm de famílias cuja renda não ultrapassa 1,5 salário mínimo per capita ? em 2010, eram 44%. Um dado impressionante que comprova o acerto do governo na estratégia estabelecida para a área educacional, principalmente no que tange à interiorização do Ensino Superior. No dia 29 de novembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou 30 escolas federais de educação profissional e 25 campi de 15 universidades federais. Em Alagoas, a estratégia foi efetivada em 2006. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que estava limitada a Maceió, abriu 34 cursos distribuídos em seis unidades, de novos campi. A notícia foi tão bem recebida que motivou uma reportagem inspirada desta Gazeta de Alagoas: ?O Sertão virou mar. Mar de conhecimento. Mar de esperança. Mar de transformação social. E a responsável pela mudança não foi a água tão desejada pelo povo sofrido da região, mas as salas de aula da universidade, que chegaram até comunidades habituadas a fazer escola no roçado e que não conseguiam escrever a própria história?. Estive com a cúpula da Ufal na semana passada e pude sentir o entusiasmo da magnífica reitora, Valéria Correia, ao solicitar da bancada federal apoio para projetos de expansão dos campi. Uma reunião está marcada para outubro. A universidade quer continuar ajudando as pessoas a escreverem a própria história. Contudo, apesar dos números otimistas, não podemos ?dormir sobre os louros?. Precisaríamos ter 34% dos nossos jovens no Ensino Superior, mas só 17% estão nas universidades, o que significa que há muito a ser feito. Ou seja, não pode haver retrocesso, não podemos estagnar. Esse é o temor de docentes e discentes espalhados pelo País, que têm se manifestado de forma contundente nos últimos meses ? foram muitas ocupações e greves. O governo interino de Michel Temer parece reafirmar nossos piores temores. Há duas semana anunciou corte de até 45% dos recursos previstos para investimentos no próximo ano em comparação com o orçamento de 2016. Vamos lutar para que isso não se concretize. Depois de começarmos a singrar o mar do conhecimento, não podemos voltar ao porto da ignorância.