Opinião
NOVA CASA
Há situações na vida que parecem se repetir. Minha família teve algumas práticas de mudança de casa, à procura de situações melhores, por isso carrego uma história de ter morado em várias cidades diferentes, contudo, desta vez, a situação foi um pouco maior. A Arquidiocese de Maceió, ao qual faço parte como padre, me enviou para estudar Mestrado em Comunicação Institucional, em Roma. Cheguei antes de ontem e já estou instalado. Agora tenho uma nova casa em outro país e assumirei um ritmo de vida diferente. De início, pensar em morar na Itália me causava certo receio. Perguntas vieram à mente! Será que irei me acostumar com a cultura? Terei dificuldade com o tipo de comida? E o clima? Estas e tantas outras eu fiz e me fizeram também. O interessante é que em qualquer país, você encontra muitos brasileiros. Parece que dominamos o mundo, pois estamos em todos os lugares possíveis e inimagináveis. Como fui enviado de forma institucional, isso me dá mais segurança, é claro. Mas, o que realmente se torna base para entender que tudo dará certo é a fé. Com Deus, qualquer situação se torna simples, pois sei que sozinho não estarei nunca. Esta mudança de casa me fez refletir bastante nesses dias. As despedidas foram inevitáveis e fiquei emocionado com o carinho expresso por tantos. As homenagens, os votos de felicidade, as orações dirigidas a mim, e tantas outras manifestações espontâneas me fizeram ter um coração grato a Deus. Sei que cumpro uma missão como padre e o meu sacerdócio alcança muitas pessoas. Independente de onde eu esteja, aqui ou acolá, o ministério faz parte da minha vida e isso sempre gera em outrem! Durante a viagem, senti isso, ao rezar com desconhecidos que se tornaram depois amigos. Estava eu fazendo conexão em Salvador e como iria me demorar ali, rezei a santa missa com funcionários do Aeroporto. Uma deles estava passando por problemas sérios em sua vida e a missa a tocou profundamente. Ela se disse ?visitada por Deus? que com amor a escolheu para estar ali presente. Escutando sua partilha, todos nós ficamos emocionados e choramos. Saí então do Brasil com essa certeza, para onde vou, a graça ministerial do meu sacerdócio sempre alcançará outros, em qualquer lugar. Agora, é adaptar-se à nova casa. Um fim de processo sempre implica em um novo. Esta novidade é positiva, pois nos tira da zona de conforto. É um tempo de graça!