Opinião
Viol�ncia com idade e cor
Entre os dados do Mapa da Violência divulgados ontem, chama a atenção o fato de que, entre 2003 e 2014, enquanto houve uma queda de 27% na taxa de homicídios de brancos por armas de fogo, houve aumento de 9,9% de vítimas negras. De acordo com o estudo, no ano de 2003, em números absolutos foram 13.224 homicídios por armas de fogo que vitimaram pessoas brancas e, em 2014, esse número caiu para 9.766. Em contrapartida, o número de vítimas negras passou de 20.291 para 29.813. Entre os brancos a taxa de mortos a cada 100 mil habitantes caiu de 14,5 para 10,6 e entre os negros saltou de 24,9 para 27,4. Para especialistas, ao contrário do que alguns defendem, a questão principal não é a renda e sim a raça, pois, segundo as estatísticas, mesmo entre os pobres, os negros são mais mortos que os brancos. Trata-se de uma realidade nacional e em Alagoas não é diferente. O estudo aponta que, historicamente, as mortes por armas de fogo são concentradas entre jovens de 15 a 29 anos. Enquanto em 1980, entre todos os homicídios por armas, 51,8% tiveram vítimas jovens, em 2014 esse número chegou a 58%. A proporção aumentou entre 1980 e 2004, quando chegou ao pico de 60,9%, apresentando leve queda até 2014. Em números absolutos, no conjunto total da população, o número de homicídios por armas de fogo passou de 6.104, em 1980, para 42.291, em 2014: crescimento de 592,8%. Mas, na faixa entre 15 e 29 anos, houve um salto de 3.159, em 1980, para 25.255, em 2014: crescimento de 699,5%. Se tomarmos esses números absolutos, o Brasil é o País que mais tem homicídios em todo mundo. Em termos proporcionais, fica em cerca de décimo lugar neste ranking. Para mudar essa realidade, é preciso modernizar a área da segurança pública, induzir a cooperação e a integração das instituições. Além disso, investir em políticas públicas que afastem os jovens da criminalidade. Aí se incluem programas nas área de educação, qualificação profissional, saúde, cultura, esporte e lazer. Não há dúvida de que a violência é um problema gravíssimo no Brasil e deve provocar indignação de todos. A violência afetar a todos, entretanto, ao se olharem os números, percebe-se não atinge de forma igualitária. Ou seja, o homicídio no Brasil parece ter cor e idade.